O que o OOH ensina sobre marketing, dados e comportamento
Rodolfo Araújo analisa a evolução da mídia exterior, o papel da programática e a importância da inteligência contextual.
Rodolfo Araújo, diretor comercial da Move, examina as transformações recentes da mídia out of home e os impactos da mobilidade urbana no comportamento do consumidor. A conversa detalha a transição da compra tradicional de telas para a segmentação por audiência em DOOH, além dos desafios criativos e métricos do setor.
Rodolfo Araújo, diretor comercial da Move, detalhou em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast como a convergência entre dados, tecnologia e comportamento urbano transformou o out of home no Brasil. Ao longo do episódio, Araújo percorre desde fundamentos de mídia exterior e segmentação programática até competências comportamentais para carreiras comerciais.
Trajetória profissional de Rodolfo Araújo no mercado publicitário
Com 27 anos de atuação no mercado publicitário, Araújo iniciou sua carreira no extremo sul de São Paulo, passando mais de uma década em institutos de pesquisa antes de migrar para as áreas de planejamento, planejamento comercial e vendas em grandes empresas do setor. No final do ano anterior, assumiu a liderança comercial da Move para unir sua experiência de 20 anos em OOH ao universo digital. "O desafio é trazer as melhores soluções para as agências e pros anunciantes pra conectar a sua audiência, trazendo um contexto de marca", relata Araújo.
A retomada e a relevância do OOH no pós-pandemia
A volta da população aos espaços públicos após o confinamento acelerou a busca por convivência social e transformou os trajetos urbanos cotidianos. Para Araújo, o fim do deslocamento estritamente pendular — de casa diretamente para o trabalho — exigiu novas abordagens das marcas na rua. "As jornadas não são mais lineares", explica Araújo, destacando que os anunciantes passaram a enxergar a mídia exterior como um canal estratégico e narrativo, superando o antigo hábito de apenas desdobrar peças concebidas para outros meios.
Branding vs. performance e a construção de marca no OOH
Embora recursos interativos como QR codes existam, o papel primário da mídia exterior permanece na construção institucional e no lifestyle. Araújo aponta que a mídia física atua predominantemente no topo do funil de vendas. "Ele no seu cerne é construção de marca", afirma Araújo, pontuando que o trabalho institucional pavimenta o caminho para a conversão no digital ou no varejo físico.
Impactos do trabalho remoto nas rotinas e pontos de contato da mídia
A consolidação de modelos híbridos e horários flexíveis permitiu que as marcas encontrassem os consumidores em momentos variados da rotina diária, desde o elevador residencial até a ida à academia ou barbearia. De acordo com Araújo, essa descentralização permite criar estratégias de comunicação sob medida para cada etapa do dia, respeitando a nova dinâmica dos trabalhadores.
Compreensão geracional e calibração de mensagens publicitárias
O diálogo com públicos que abrangem desde a geração Z e os millennials até a geração alfa demanda calibragem constante de conteúdo e produto. Araújo observa que o volume de dados disponível no mercado atual amplia as possibilidades de segmentação, mas exige precisão: "As marcas hoje elas têm um desafio de criar pra essas gerações".
O OOH como o terceiro maior meio publicitário do Brasil
A profissionalização das empresas de mídia exterior e o investimento em ativos digitais impulsionaram o crescimento do setor no país. Embora a televisão mantenha alcance relevante em escala continental, Araújo aponta que nas capitais e grandes centros o out of home assume papel determinante. "Muitas vezes ele sai do terceiro meio pro meio principal", pontua Araújo ao destacar a complementaridade entre telas físicas e canais digitais.
Evolução de dados e o desafio de métricas unificadas em mídia exterior
O uso de dados mobile e recursos de geofencing trouxe maior inteligência à mídia exterior, mas a ausência de uma métrica padronizada e auditada por um instituto externo — aos moldes do que ocorre na TV ou na internet — continua sendo uma barreira. Araújo ressalta que as particularidades da infraestrutura urbana de cada cidade e as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados impedem uma mensuração idêntica à granularidade do ambiente virtual.
Formatos de OOH e a jornada do consumidor até o ponto de venda
A aplicação de grandes formatos ou de mobiliário urbano varia conforme a legislação de cada município, a exemplo das regras da Lei Cidade Limpa estabelecidas em São Paulo em 2006. Em diferentes praças, o uso combinado de relógios, abrigos de ônibus e telas digitais permite acompanhar a jornada do consumidor até o ponto de venda na etapa final do trajeto.
Compra programática em DOOH: inteligência de segmentação e comparativo de CPM
A compra programática em telas digitais permite segmentar a veiculação por horários, contextos e tempo de permanência da audiência em cada ambiente, superando a lógica estática de veicular 24 horas por dia de forma contínua. Araújo explica que, embora o CPM pareça numericamente superior ao modelo tradicional, a qualificação do público compensa o investimento: "Se você entender o contexto e a entrega que a programática traz, provavelmente, ela não é mais cara do que a compra tradicional".
Diferenças criativas entre redes sociais e telas de rua
Criativos desenvolvidos para o ambiente móvel raramente funcionam quando aplicados diretamente nas ruas, onde o tempo de exposição dura poucos segundos e há interferência da luz natural. Araújo recomenda o uso de mensagens diretas, contraste adequado e fontes legíveis. "Você precisa ter um call to action grande", reforça Araújo, alertando que textos extensos perdem leitura em vias de tráfego rápido.
Desafios de mensuração e regionalização de campanhas de OOH
Aferir resultados regionais exige cruzar dados móveis ou executar pesquisas específicas em ambientes indoor e vias públicas. Araújo destaca que a complexidade de mensuração decorre da falta de ferramentas de prateleira universais, exigindo estudos desenhados caso a caso de acordo com os objetivos de cada marca.
Especialização das agências e a atuação do OOH em mercados internacionais
Grandes agências têm estruturado núcleos dedicados à mídia exterior para atender briefings que variam de capitais internacionais até municípios do interior brasileiro. A Move opera campanhas em cerca de 80 países e centenas de cidades brasileiras, adaptando as entregas às legislações locais e às restrições técnicas de cada suporte de mídia.
Soft skills e competências comportamentais no mercado publicitário
Em um segmento dinâmico e com alto volume de demandas, habilidades comportamentais tornam-se fatores decisivos em processos seletivos para novos profissionais. Enquanto conhecimentos técnicos de softwares e métricas podem ser desenvolvidos na prática, Araújo valoriza características como engajamento, curiosidade e resiliência diante dos desafios operacionais.
A evolução do profissional de vendas e a escuta ativa do cliente
A postura comercial focada em demonstrações unilaterais cedeu espaço a um trabalho investigativo, centrado em identificar a dor real do cliente e do consumidor final. Araújo defende que a escuta ativa e a clareza estratégica são indispensáveis para estruturar planos de mídia eficazes.
Como lidar com a rejeição e cultivar resiliência na carreira comercial
Receber respostas negativas faz parte da rotina tanto em processos seletivos quanto em negociações comerciais complexas. Citando exemplos do esporte, Araújo reforça que a resiliência permite enxergar o momento certo para reposicionar propostas: "Lidar com o não é uma parte, voltando soft skills, você ser resiliente".