Como funciona a logística reversa de eletrônicos no Brasil
Robson Esteves explica a atuação da ABREE no descarte doméstico, os marcos regulatórios do setor e o rateio de custos.
A logística reversa de eletroeletrônicos conecta indústria, consumidor e legislação para viabilizar o descarte correto de itens de uso doméstico. Em conversa no Marketing - The Podcast, Robson Esteves detalha a gestão coletiva e as obrigações do setor.
Robson Esteves, presidente da ABREE, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre a estrutura da logística reversa no Brasil e o papel das entidades gestoras na destinação adequada de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos. O episódio completo também aborda outros temas ligados à comunicação e à sustentabilidade no setor.
No vídeo acima, Esteves explica como a cadeia logística organiza a coleta e o tratamento de itens descartados pela população, além de apontar a relevância do alinhamento entre empresas concorrentes.
A diferença entre logística linear e logística reversa
Enquanto a logística tradicional atua no transporte e na entrega de mercadorias da fábrica ao consumidor final — impulsionada pela expansão territorial do país e pela demanda por centros de distribuição —, a logística reversa realiza o trajeto inverso após o término da vida útil do produto.
O foco principal da ABREE recai sobre os produtos de pós-consumo de uso doméstico, diferenciando o descarte residencial daquele realizado por organizações corporativas. Como explica Esteves: "A parte B2B que a gente chama nesse caso, as empresas têm processos tributários fiscais para descarte. Nós aqui não, a gente tem um foco no consumidor, que comprou um dia um celular, uma televisão, uma geladeira, por exemplo, usou e em algum momento esse produto é pós-consumo, já não me atende".
Riscos ambientais e marcos regulatórios
O acúmulo de aparelhos sem utilidade em residências decorre frequentemente da falta de informação sobre onde e como descartar. Por conterem componentes químicos, esses materiais não podem ser destinados ao lixo comum, sob risco de contaminação do solo e danos à saúde pública. Segundo Esteves, "esses resíduos eles têm produtos químicos, fazem mal não só para o meio ambiente, até para as pessoas em si".
A estruturação da atividade no país ganhou força a partir de 2010, com a promulgação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabeleceu diretrizes para setores específicos como pilhas, lâmpadas, óleos e embalagens. No segmento de eletroeletrônicos, as diretrizes operacionais foram detalhadas pelo Decreto 10.240 de 2020, definindo as metas e os procedimentos que fabricantes, importadores e distribuidores precisam cumprir.
Rateio de custos e conformidade por meio da associação
Embora uma companhia possa estruturar seu próprio sistema de logística reversa de forma individual, a associação a uma entidade gestora viabiliza o ganho de escala. A centralização permite dividir despesas logísticas e simplifica o reporte obrigatório de grandes volumes aos órgãos fiscalizadores.
Para Esteves, a gestão compartilhada garante segurança jurídica e conformidade operacional: "a associação traz primeiro um rateio de custos, ou seja, divide custos, e consegue ser muito mais eficiente porque tudo isso que nós estamos falando, e estamos falando aqui em toneladas, muito volume, tem que ser reportado, seja para o Ministério do Meio Ambiente, seja para órgãos estaduais, isso tudo é muito trabalhoso". Além do atendimento às exigências legais, ele destaca que as empresas também integram o sistema pelo entendimento do impacto ambiental da atividade.