Liderança com dados e o uso da IA na logística reversa
Robson Esteves analisa a tradução de KPIs na gestão e a chegada gradual da inteligência artificial na manufatura reversa.
Em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, Robson Esteves aborda a necessidade de lideranças que saibam traduzir métricas em decisões práticas. Ele também explica como a inteligência artificial começa a ser aplicada para dar eficiência aos processos manuais da manufatura reversa.
Robson Esteves, presidente da ABREE, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, o papel dos dados na gestão corporativa e os primeiros passos da aplicação de inteligência artificial na reciclagem. O debate integra a discussão do episódio sobre sustentabilidade, regulação e logística reversa, dedicando um recorte específico à interpretação de métricas de negócio e à eficiência operacional.
O registro completo da conversa pode ser acompanhado no vídeo acima, que demonstra os exemplos práticos trazidos durante a gravação sobre os gargalos operacionais do setor.
A tradução de dados como função da liderança
Diante de um mercado cada vez mais focado no acúmulo de informações e relatórios, Esteves defende que a coleta de métricas é inútil se não houver capacidade analítica para orientar ações práticas. O desafio central da gestão não reside apenas no acesso a painéis ou indicadores de desempenho, mas em compreender o significado real dos números brutos e transformá-los em correções operacionais de rota.
Para Esteves, a interpretação clara é a principal atribuição de quem comanda equipes e processos complexos. "Dados são importantes, KPIs, indicadores são muito importantes para saber se nós estamos trabalhando bem, se nós onde nós temos que realmente melhorar uma operação, um custo. Agora saber traduzir isso, eu acho que é o core business de uma liderança", afirma. Ele pontua que o líder precisa simplificar o diagnóstico técnico para que os times compreendam a direção estratégica, evitando que o dado vire apenas uma meta vazia.
Inteligência artificial na manufatura reversa
Ao abordar a adoção de novas tecnologias, Esteves observa que a inteligência artificial já apresenta casos maduros na logística tradicional de entrega linear, especialmente em roteirização e redução de custos. No entanto, na logística reversa e no descarte de eletroeletrônicos, o setor ainda avalia modelos viáveis de aplicação, considerando que muitos produtos descartados hoje foram fabricados há anos, sem tecnologias de rastreabilidade prévia.
O avanço mais promissor da IA ocorre na etapa de manufatura reversa, onde a tecnologia auxilia na triagem e na separação de componentes. "Quando eu falo em manufatura reversa, realmente tem um aspecto manual. Tem que ir lá, desmontar, tirar a parte aqui, outra ali, para você triturar aquele resíduo o mais individualmente possível", explica Esteves, citando a divisão básica entre metal, plástico e vidro para dar escala e eficiência à reciclagem.