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Como a logística reversa engaja o consumidor e a diretoria

Robson Esteves explica como a comunicação do descarte correto e as novas gerações transformam a pauta ESG nas empresas.

Robson Esteves detalha o fluxo da logística reversa de eletroeletrônicos e o papel da conscientização da sociedade. A conversa aborda como a exigência do consumidor final tem levado diretorias corporativas a valorizarem a economia circular e a rastreabilidade.

Robson Esteves, presidente da ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos), falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre os desafios de conscientizar a sociedade para o descarte adequado de resíduos eletrônicos e como a demanda do consumidor final passou a pressionar a diretoria das empresas a olhar além dos indicadores tradicionais de balanço.

O trecho integra uma conversa mais ampla do podcast sobre sustentabilidade e práticas ambientais no setor industrial.

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O ciclo da reciclagem e a responsabilidade compartilhada

Para Esteves, a comunicação com o público final precisa deixar clara a dinâmica de responsabilidade compartilhada entre fabricantes, poder público e sociedade. O fluxo da logística reversa depende da entrega voluntária pelo consumidor para que os materiais retornem ao ciclo produtivo em vez de serem descartados em aterros.

Segundo Esteves, o destino final dos componentes alimenta a indústria de base: "O processo é: chegou no ponto de entrega, um ponto de entrega voluntário, nós coletamos, nós levamos para os nossos operadores de manufatura reversa, que vão separar, vão desmontar, vão separar, vão triturar aquilo". Ele destaca que matérias-primas como vidro, plástico e metal são reaproveitadas — o aço de refrigeradores, por exemplo, pode virar vergalhões para a construção civil, além de placas de circuito impresso conterem componentes de valor como terras raras e frações mínimas de ouro. "O objetivo da economia circular é esse: é poluir menos e retirar menos materiais virgens da natureza", pontua Esteves.

Como a logística reversa engaja o consumidor e a diretoria

A pressão do consumidor sobre as diretorias corporativas

Ao abordar a mudança de postura nos conselhos de administração e diretorias, que historicamente focavam apenas em resultados operacionais como EBITDA, Esteves aponta que o movimento foi impulsionado pelo perfil dos novos compradores.

"O gatilho disso é o consumidor", explica Esteves, mencionando que a entrada de públicos mais jovens no mercado consumidor, com autonomia financeira e critérios orientados a ESG, forçou as lideranças empresariais a adaptarem suas agendas. Essa influência, já consolidada em multinacionais de origem europeia e asiática, expandiu-se no mercado brasileiro à medida que as marcas buscam atratividade comercial perante essa nova base de clientes.

Rastreabilidade e combate ao greenwashing

A aplicação prática dessa agenda na ponta comercial se reflete na adoção de certificações nas embalagens e na prestação de contas dos processos de reciclagem. Para Esteves, o selo da entidade funciona como um ativo de credibilidade para fabricantes e importadores associados.

Esteves enfatiza que a transparência é sustentada por auditorias rigorosas: "Toda a logística reversa, ela é documentada, tem uma rastreabilidade, tem um lastro. Então, aqui não existe greenwashing, ou não nem queremos, é tudo muito auditado". Para ele, marcas que ignorarem essa transformação nos hábitos de consumo enfrentam riscos diretos de competitividade: "Essas empresas que ainda não se conscientizaram, não viram a importância, poderão perder mercado", conclui.

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