Planejamento de demanda e logística: Brasil versus exterior
Robson Esteves analisa a relação entre S&OP e economia circular, além dos gargalos de infraestrutura frente a outros países.
Em conversa no Marketing - The Podcast, Robson Esteves avalia como o planejamento de demanda se conecta à logística reversa. Ele compara a infraestrutura brasileira à de mercados internacionais e debate a responsabilidade sobre produtos importados.
Robson Esteves, presidente da ABREE, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre como sua experiência em planejamento de demanda e inteligência de mercado se conecta aos desafios da economia circular, traçando um paralelo logístico entre o Brasil e outros mercados internacionais. O episódio aborda ainda outros tópicos relativos à sustentabilidade e à regulação do setor.
Do planejamento de demanda à redução de desperdício
A aplicação de metodologias como S&OP e CPFR na indústria tradicional tem como objetivo equilibrar a cadeia de suprimentos e mitigar perdas por excesso de estoque. Segundo Esteves, essa disciplina analítica de supply chain fundamenta a gestão de processos voltados à sustentabilidade, evitando que a instabilidade da cadeia gere custos financeiros e desperdício de matéria-prima.
"Lá atrás, a gente brigava para não desperdiçar, com esses processos de logística. Agora a gente trabalha para realmente trazer economia circular, impactar menos a natureza no sentido de novos recursos e conscientizar a população", afirma Esteves.
O benchmark internacional e a realidade brasileira
Ao contrastar mercados como a Europa e os Estados Unidos com o Brasil, Esteves aponta que nações menores conseguiram consolidar conceitos de reciclagem e conscientização com maior agilidade, impulsionadas também por malhas de transporte integradas. No vídeo acima, a conversa aprofunda como o tamanho continental brasileiro impõe entraves de viabilidade econômica ao transporte de resíduos entre diferentes estados.
"Não dá para pegar a Suécia, porque a Suécia é um estado nosso aqui, olha o nosso tamanho", pontua Esteves, ao reforçar que soluções adotadas no exterior precisam ser calibradas para a infraestrutura logística e os custos de frete do território nacional.
O impacto do e-commerce asiático na logística reversa
A ascensão de marketplaces internacionais e a importação direta aumentaram o volume de produtos em circulação no mercado consumidor brasileiro. Para Esteves, embora a logística linear de entrega tenha se modernizado, a responsabilidade pós-consumo desses bens precisa acompanhar a mesma velocidade de fiscalização das marcas locais.
"O meio ambiente é aqui, não é lá do país asiático que produziu o equipamento. O impacto que aquele resíduo vai causar é aqui, não é lá", destaca Esteves, defendendo que importadores e plataformas digitais participem ativamente do financiamento e da estrutura de recolhimento dos eletroeletrônicos.