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Logística reversa exige educar o consumidor e engajar marcas

Robson Esteves explica como a ABREE estrutura os canais de descarte e atua para trazer fabricantes para a conformidade.

A logística reversa de eletroeletrônicos no Brasil depende da responsabilidade compartilhada entre cidadãos, poder público e empresas. Robson Esteves detalha os canais de descarte da ABREE e a baixa adesão formal da indústria.

Robson Esteves, presidente da ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos), falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre as estratégias para orientar a população sobre o descarte de resíduos e a urgência de engajar o setor empresarial no cumprimento da legislação ambiental. O episódio completo da série também aborda outros temas de sustentabilidade e governança na cadeia reversa.

No vídeo acima, Esteves explica como a associação articula parcerias com o setor público e disponibiliza ferramentas para que a população localize os postos de coleta mais próximos de suas residências.

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A rede de descarte e a responsabilidade compartilhada

A destinação ambientalmente adequada de produtos eletroeletrônicos começa no comportamento do próprio usuário. Esteves pontua que a legislação estabelece uma responsabilidade compartilhada entre todas as pontas da cadeia, cabendo ao consumidor levar o equipamento sem uso até um Ponto de Entrega Voluntária (PEV), enquanto a indústria e o varejo se encarregam da coleta, do tratamento e da destinação final.

Para facilitar essa etapa, a associação centraliza a localização de postos em sua plataforma digital. Segundo Esteves, "coloca o seu CEP e o que você quer descartar, e a gente vai te indicar o local mais próximo, né? Porque a responsabilidade, a a Política Nacional sempre fala, é compartilhada". Ele afirma que o sistema reúne mais de 7.000 pontos pelo país preparados para receber esses materiais.

Logística reversa exige educar o consumidor e engajar marcas

Iniciativas de educação e mutirões de arrecadação

A conscientização ambiental precisa ser construída de forma continuada, tanto no ambiente digital quanto em ações de campo. A entidade mantém uma plataforma voltada à educação para trabalhar o tema com crianças e adolescentes em idade escolar, fomentando o hábito do descarte correto desde cedo.

Além do conteúdo pedagógico, a entidade organiza operações práticas nos municípios para recolher aparelhos guardados há décadas nas casas. "A gente faz campanhas de arrecadação nos municípios, como um drive-thru, faz um anúncio, normalmente a gente trabalha com prefeitura ou órgão do governo, a pessoa vem do governo municipal, a pessoa vem com seu carro, entrega para a gente", relata Esteves, destacando que muitas pessoas mantêm aparelhos guardados por 30 ou 40 anos por falta de informação sobre onde entregá-los.

O desafio da adesão das empresas ao sistema formal

Além de dialogar com o consumidor final, a associação atua para conscientizar e integrar as empresas que fabricam ou importam produtos eletroeletrônicos no Brasil. Embora o cumprimento da legislação seja obrigatório, grande parte do mercado ainda opera à margem dos sistemas formais de logística reversa.

Esteves aponta um descompasso expressivo entre o volume total de empresas do segmento e a quantidade daquelas que já participam de iniciativas estruturadas de reciclagem. "A gente tem uma estimativa de 4.000 empresas que importam ou produzem, tá, esses produtos e colocam no mercado e nem 5% disso, nem 200 empresas estão fazendo um sistema formal de logística reversa", afirma Esteves sobre a necessidade de atrair novos participantes para o protocolo setorial.

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