"Mídia não é sobre o meio, é sobre gerar negócios", diz Abud
Andreia Abud discute inteligência artificial, cultura analítica, integração entre marketing e vendas e gestão humana.
Em entrevista para o Marketing - The Podcast, Andreia Abud detalha a fundação da agência Felina e analisa a transformação do mercado publicitário. O debate aborda o papel da inteligência artificial, a integração entre mídia e vendas e a importância da sensibilidade humana nas decisões estratégicas.
Andreia Abud, sócia fundadora e responsável por mídia e dados da Felina e conselheira do Conar, analisou, no Marketing - The Podcast, as mudanças estruturais na comunicação, o uso consciente de inteligência artificial e a necessidade de colocar o comportamento humano no centro das decisões de negócios.
No vídeo acima, Abud percorre os principais pontos da operação da agência recém-lançada e debate como a publicidade precisa evoluir para além das métricas isoladas de vaidade.
A evolução da publicidade, a criação da Felina e o foco no comportamento humano
Ao avaliar as transformações históricas da comunicação, Abud pontua que o setor não precisa necessariamente desaprender o passado, mas encarar um processo contínuo de adaptação. A criação da Felina partiu dessa premissa de solucionar gargalos operacionais antigos a partir de um modelo novo. Ela destaca que ferramentas e dados são indispensáveis, mas devem sempre servir a objetivos comerciais reais e serem complementados pela observação direta das pessoas nas ruas.
"Conhecer o consumidor a fundo através, óbvio, de ferramentas de mídia. A gente tem nunca teve tanto dado. A gente tem dado para tudo. A gente consegue saber o que ele pensa, o que ele fala, como ele se comporta numa jornada de compra", afirma Abud ao defender que o diagnóstico precisa ir além de simplesmente produzir uma campanha tradicional.
Filtragem de dados e geração de insights estratégicos em mídia
Diante do excesso de informações disponíveis, Abud explica que a única maneira eficaz de filtrar ruídos é manter um foco rígido nos resultados de negócio contratados. Métricas frias e desconectadas de ações práticas perdem valor se não forem acompanhadas em tempo real para permitir correções de rota durante a veiculação.
"Eu gosto muito quando a gente fala que a mídia, ela não é sobre o meio, é sobre a sua capacidade de gerar negócios", pontua Abud, ressaltando a importância de utilizar históricos, categorias de referência e testes contínuos para retroalimentar decisões futuras.
O papel da inteligência artificial e o valor do pensamento humano
Sobre a integração de IA na rotina das agências, Abud enfatiza que a tecnologia proprietária desenvolvida na Felina tem o papel central de absorver a carga operacional e desatar nós burocráticos. O objetivo primário é liberar tempo para os profissionais exercerem pensamento crítico e criativo.
"A IA, ela tá olhando o passado. A gente está todo mundo olhando para o mesmo lugar. A gente precisa do humano para criar, para ser disruptivo e para olhar para o futuro, porque senão a gente vai todo mundo ficar no mesmo lugar", ressalta Abud.
Monitoramento do comportamento das novas gerações com ferramentas e sensibilidade
Acompanhar as rápidas mudanças de hábitos das novas gerações exige a combinação de recursos técnicos e vivência social. Embora ferramentas de escuta digital sejam cruciais para captar movimentos rápidos e antecipar crises, Abud defende que o repertório cultural e o contato direto com o público são insubstituíveis.
"O grande ponto, quanto mais tecnológicos a gente fica, mais humanos a gente precisa ficar", explica Abud, alertando que o profissional de mídia não pode ficar restrito apenas às telas e relatórios automatizados.
Mudança de mentalidade e novos processos de trabalho
A transição para uma estrutura de trabalho mais ágil e automatizada exige suporte ativo das lideranças. Para Abud, os profissionais reagem de forma positiva a novas rotinas quando percebem que a tecnologia remove tarefas repetitivas e abre espaço para contribuições estratégicas.
"Quando eu falo para alguém que eu quero que ele pense diferente, que ele se aprofunde no negócio, que ele vá buscar fontes, que ele olhe dados, mas que ele também viva, vivencie a marca, o cliente, o consumidor, e eu falo para ele, e eu vou te ajudar, porque eu vou te tirar uma carga sua", relata Abud.
Prospecção e relacionamento consultivo no mercado B2B
Na prospecção de clientes e expansão comercial, a abordagem da agência prioriza o diagnóstico aprofundado dos problemas estruturais de cada empresa, evitando empurrar formatos publicitários padronizados. Relações consultivas e transparentes garantem parcerias duradouras.
"A gente procura, de fato, ter uma postura de que, qual que é o seu problema de negócio? Me conta como que eu posso contribuir, como eu posso ser, principalmente, não a sua agência, mas eu, a gente quer construir relações onde a gente seja visto como um parceiro estratégico", diz Abud.
Canais de relacionamento e o papel dos eventos de negócios
Ao analisar plataformas de contato institucional, Abud reforça a importância da presença autêntica no LinkedIn e em redes sociais para compartilhar visões de mercado. Sobre eventos corporativos, ela aponta que esses encontros precisam focar no conteúdo educacional e nas trocas humanas reais, e não apenas na captação comercial de patrocínios.
"Quando você faz uma palestra presencial, você vê, você sabe se a pessoa gostou ou não, se ela está entendendo ou não o que você está falando, se ela está conectada ou não, se ela está no celular", observa Abud.
Os primeiros meses e o acolhimento do mercado à Felina
Ao comentar o início das atividades da agência, Abud relata o retorno positivo recebido de marcas e veículos parceiros. Ela destaca a relevância do surgimento de novas opções e modelos no cenário nacional, complementando o papel dos grandes grupos tradicionais do setor.
"É muito desafiador. Em três meses a gente teve bons resultados, a gente acredita que a gente vai continuar crescendo, e a gente sabe que a gente tem muito para entregar e a gente acredita na nossa entrega", pontua Abud.
Conexão entre as estratégias de mídia e a equipe comercial
A sintonia fina entre marketing, mídia e a equipe de vendas do cliente é apontada como indispensável para a eficácia das campanhas. Mesmo em ações com foco institucional ou de reconhecimento de marca, os dados de desempenho comercial orientam ajustes no planejamento.
"Quanto mais dados do cliente a gente tiver, melhor. Se você não puder dividir comigo o dado, divide comigo cresceu 10%, caiu 20%, para a gente poder conectar as estratégias. Então, é fundamental que a gente crie isso", explica Abud.
Gestão de comunidades e visão integrada de canais
Abud argumenta que a construção de comunidades deve fazer parte de um ecossistema holístico de comunicação, que envolve narrativa própria, relações públicas, eventos e mídia. As marcas precisam ter maturidade para dialogar e ouvir críticas ao abrir canais diretos com o público.
"É muito importante que a gente conecte tudo isso que eu te falei, todas as camadas de comunicação, de pontos de contato, para que elas conversem e não seja uma ação isolada", reforça Abud.
Trabalho híbrido, liderança e fortalecimento de conexões humanas
O modelo híbrido trouxe ganhos expressivos de qualidade de vida e flexibilidade, mas exige intenção por parte da gestão para que os dias no escritório tenham propósito. O encontro presencial precisa gerar trocas multidisciplinares e aprendizado conjunto, e não apenas o cumprimento burocrático de presença física.
"O papel do líder também, é você fazer com que ele entenda e veja qual que é o valor dele estar aqui, dele estar lá. Qual que é o valor dele estar ali sentado, tendo uma conexão próxima com o colega, com a outra área", argumenta Abud.
Gerenciamento de crises e inteligência emocional na publicidade
Em momentos de crise ou pressão por resultados, o foco imediato deve ser a resolução do problema ao lado do cliente, adiando a apuração de culpados. Abud defende que a liderança precisa absorver o estresse em vez de repassá-lo aos níveis operacionais da equipe.
"Hoje é fundamental hoje, já há muito tempo, é fundamental a inteligência emocional. Cada vez mais e sempre foi, porque é aonde você consegue trazer clareza para as coisas, é aonde você consegue trazer segurança para as coisas, para os clientes, para as pessoas", destaca Abud.
Inclusão social, cursos tecnólogos e conselhos para novos profissionais
Encerrando o debate, Abud defendeu a importância de programas de inclusão educacional e destacou que a diversidade de histórias enriquece o ambiente corporativo. Aos profissionais em início de carreira, ela orientou que cultivem resiliência, autenticidade e autovalorização em suas trajetórias.
"Primeiro, eu diria que o que te faz valioso é a sua vontade. Você não precisa achar que você precisa caber num ambiente. Eu acho que você precisa saber que você contribui para aquele ambiente, porque você tem uma história que é valiosa", conclui Abud.