Rotina no marketing e os limites para evitar o burnout
Flávia Roma detalha a gestão de demandas no Bario Bar, estratégias contra a ansiedade e a imposição de limites diários.
Em conversa no Marketing - The Podcast, Flávia Roma detalha como organiza a rotina de marketing no Bario Bar e os limites estabelecidos para preservar a saúde mental. Roma aborda a experiência com burnout, a prática de esportes e as regras de desconexão para lidar com a ansiedade.
Flávia Roma, gerente de marketing do Grupo Bario Bar, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre os desafios de gerenciar a rotina de marketing em uma operação de varejo e entretenimento físico, além dos métodos que adotou para estabelecer limites e cuidar da saúde mental após enfrentar um quadro de burnout.
O episódio completo aborda também a expansão física da rede e estratégias de entretenimento gastronômico, mas o trecho em destaque concentra-se na dinâmica de trabalho dos profissionais do setor e nas práticas cotidianas para conter a ansiedade e a sobrecarga mental.
A rotina real de marketing além do digital
Ao detalhar o crescimento da estrutura do Bario Bar — que migrou de uma operação inicial em Pinheiros de 450 m² para uma unidade de 1.500 m² no Tatuapé —, Roma relata a divisão das áreas e a desmistificação sobre a carga de trabalho do departamento. Para ela, a percepção comum de que o marketing se resume à gestão de redes sociais ignora a complexidade do trabalho offline e de estratégia.
"E o que eu acho que tem uma coisa que as pessoas não entendem, que o marketing, ele é online e offline. As pessoas acham que é só online. As pessoas acham que fazer marketing é cuidar de um Instagram. Eu falo, o que eu mais odeio é cuidar do Instagram. Eu odeio social, não gosto. Sei, porque lidero o time que cuida para mim, mas eu sou criatividade, eu sou criativa", afirma Roma. Ela ressalta que toda a comunicação interna das lojas físicas, layouts, cardápios e mensuração de custos das ações exigem presença e planejamento constantes.
O enfrentamento do burnout e a sobrecarga mental
A aceleração contínua de pensamentos e a dificuldade de desligar do trabalho levaram Roma a vivenciar um episódio de burnout. Na conversa, ela descreve a sensação de esgotamento e a busca por refúgio em momentos de crise, lembrando a resposta de sua terapeuta sobre a necessidade de administrar a pressão interna em vez de apenas mudar de ambiente.
"E eu tenho ódio de quem fala, ai, burnout é frescura. Eu falo, é porque você não teve. Eu lembro que eu não tava fazendo terapia na época, eu liguei para a minha terapeuta e falei assim para ela, a minha vontade é de enfiar a mão dentro da minha cabeça e tirar o pensamento de dentro da minha cabeça", explica Roma ao pontuar como a rotina corporativa pode sobrecarregar a mente quando não há pausas estruturadas.
Métodos de desconexão e organização diária
Para controlar a ansiedade e mitigar os efeitos da hiperconexão pelo celular e aplicativos de mensagens, Roma implementou regras rígidas em seus horários de descanso. A prática regular de corrida e natação tornou-se uma ferramenta central para desacelerar o ritmo mental, aliada a configurações automáticas no smartphone.
"A corrida acalmou minha mente. A corrida tem me ajudado muito nisso. A natação também. Eu coloco meu celular não perturbe automático. Então eu não entro nem no não perturbe, eu entro no modo sono. Só que quem é liberado consegue me mandar mensagem. A partir de 9 horas da noite, eu tô no modo sono, porque eu preciso desligar a minha mente", relata Roma.
Além do desligamento noturno a partir das 21h, Roma mantém o bloqueio de notificações até as 9h da manhã, dedicando as primeiras horas do dia aos treinos e à organização pessoal. Ela também optou pelo planejamento diário das entregas em vez de listas semanais rígidas, mantendo apenas a preparação antecipada de refeições no domingo para evitar dispersão durante a semana de trabalho.