Liderança feminina e resiliência no food service
Flávia Roma detalha os desafios de comandar o marketing em um setor masculino e a importância de dominar a operação.
Em conversa no Marketing - The Podcast, Flávia Roma explica como aplica a disciplina dos esportes de resistência na liderança em bares e entretenimento. Ela aborda a necessidade de conhecer a fundo a rotina operacional para fundamentar decisões estratégicas.
Flávia Roma, gerente de marketing do Grupo Bario Bar, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre os desafios de liderar em um mercado predominantemente masculino e a aplicação da resiliência esportiva na gestão de negócios gastronômicos e de entretenimento.
O trecho integra uma conversa mais ampla do programa sobre estratégias de marca e hospitalidade, disponível no vídeo acima. Na conversa, Roma explica como a vivência em esportes de resistência moldou sua postura na liderança de equipes e na tomada de decisões dentro do setor de food service.
A liderança feminina em um ambiente masculinizado
Ao analisar a dinâmica de trabalho no segmento de bares e entretenimento de jogos, Roma destaca que a presença feminina em cargos de comando ainda é minoritária. Essa realidade impõe a necessidade constante de estruturar argumentos sólidos e demonstrar clareza técnica antes de aprovar qualquer ação de comunicação.
"Eu trabalho num ambiente eu vou dizer que 98% masculino, que é o food service. O food service é muito masculino, e no no setor do food service que eu tô, que é de bar e entretenimento, ele é mais masculino ainda. Então, eu tenho uma pressão muito grande pela posição que eu ocupo. Eu tenho uma pressão muito grande, porque eu sou uma mulher que tá falando", afirma Roma.
Para superar resistências e alinhar o time, ela adota uma abordagem didática e colaborativa na apresentação de planos: "E como eu tô num ambiente super masculino, eu tenho que falar, olha, o conceito é esse, a estratégia é essa, é porque é isso, é porque aquilo. Então eu tenho que construir com todo mundo uma coisa, que é igual na corrida, a corrida é uma construção".
Resiliência e o aprendizado das variáveis incontroláveis
A prática esportiva também ensinou Roma a lidar com frustrações e planos que precisam ser recalculados. Ao relatar uma prova de corrida em Porto Alegre na qual não atingiu as metas de tempo estabelecidas, ela traça um paralelo direto com os imprevistos da rotina corporativa.
"A vida é uma maratona, que você planeja, organiza, trabalha, treina, estuda e chega lá, não vai ser como você quer, porque tem milhões de variáveis. Tem milhões de variáveis, tanto no seu trabalho, como na, na vida pessoal, que vai mudar ali o percurso do negócio e, e você tem que ser resiliente de falar: 'Tá bom, caí, levantei'", pontua.
Curiosidade e domínio da operação prática
Para Roma, liderar equipes de marketing exige entender o funcionamento real do negócio, desde a manutenção técnica até o salão do restaurante. Ela relata que faz questão de acompanhar consertos de máquinas de jogos e entender a divisão de funções entre garçons, corredores e cozinha.
"Até porque eu parto de um princípio que, se eu liderar um time, como eu vou mandar, pedir ou qualquer, né, qual que seja aqui, para o meu time, uma coisa que eu não sei fazer? Como que eu vou cobrar dele se eu não sei fazer? Então, eu quero aprender", explica Roma, reforçando que essa postura evita estimativas irreais de prazos e demandas.
Pioneirismo de mercado e impacto social
Sobre a concorrência e a replicação de ideias no setor, Roma adota uma visão pragmática: valoriza o pioneirismo criativo e considera a imitação um sinal de acerto estratégico, desde que adaptada ao contexto de cada marca.
"Que bom que me copiaram, quer dizer que a minha ideia foi genial. Que legal, que copie e faça, porque para mim acho que o mercado tem para todo mundo. O sol nasceu para todos", diz Roma, que ao final também destacou iniciativas sociais ao mencionar o trabalho de capacitação realizado pela ONG Orienta Vida.