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O que a frustração em Valência ensinou sobre leveza na corrida

Jéssica Fazzio relembra o ciclo em que quebrou na prova espanhola e como a experiência transformou sua relação com o esporte.

Em conversa no podcast Girls Who Run, a maratonista Jéssica Fazzio detalhou os desafios de disputar a Maratona de Valência em meio a uma fase pessoal delicada. Ao cruzar a linha em 3h06 após buscar a marca de 2h55, ela encontrou uma lição fundamental sobre limites, identidade e leveza.

Mesmo em boa forma física, nem todo ciclo de maratona se desenvolve de maneira ideal. Ao planejar sua participação na Maratona de Valência em 2024, Jéssica Fazzio vivia um momento de sobrecarga emocional fora do esporte, assumindo ao lado do irmão o papel de cuidadora em meio a uma doença na família. Acreditando que conseguiria abraçar todas as demandas simultaneamente, a atleta insistiu na preparação, enfrentando uma rotina que logo cobraria o seu preço mental e físico.

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A rotina na esteira e o peso das obrigações

Para conseguir encaixar os treinos na agenda conturbada, Jéssica precisou realizar praticamente toda a preparação de Valência na esteira. A mudança drástica em relação aos treinos ao ar livre removeu o componente social da corrida — o convívio nos parques e com amigos —, transformando o momento que antes era de autocuidado em uma obrigação solitária. A sensação de frustração começou a aparecer ainda durante a preparação, à medida que a cobrança interna por manter a régua alta colidia com a falta de energia e de disponibilidade emocional.

Apesar do desgaste na rotina, os números indicavam boa condição física. Pouco antes de viajar para a Espanha, Jéssica havia registrado seu recorde pessoal na meia maratona com a marca de 1h24. O objetivo estabelecido para Valência era buscar um tempo próximo de 2h55, confiando que a dedicação acumulada sustentaria o ritmo até o fim.

O que a frustração em Valência ensinou sobre leveza na corrida

O calor na largada e a quebra no quilômetro 30

No dia da prova, as condições climáticas não ajudaram. A largada ocorreu sob temperatura de aproximadamente 20 °C e alta umidade, com o termômetro alcançando 24 °C a 25 °C ao longo do percurso. O ar pesado e o desgaste acumulado pesaram desde os primeiros quilômetros, culminando em uma quebra evidente por volta do quilômetro 30.

Ao passar pelo namorado e pelo treinador Nelson, Jéssica tentou disfarçar as dificuldades e manter o ritmo, mas sua mecânica de corrida já denunciava o esgotamento. Apesar do sofrimento no trecho final, ela cruzou a linha de chegada em 3h06 — onze minutos acima da meta planejada, mas ainda um tempo expressivo para a distância.

A desconstrução da corredora perfeita

A frustração inicial de não ter alcançado o objetivo deu lugar a uma reflexão rápida no pós-prova. Reconhecendo que o contexto pessoal tornava a meta incompatível com aquele momento da vida, Jéssica encontrou apoio nas palavras de seu treinador, que publicou um texto ressaltando a leveza como a principal marca de sua trajetória no esporte.

A experiência em Valência serviu como um divisor de águas ao desconstruir a pressão interna de nunca falhar ou de sempre entregar recordes pessoais. Compreender que um resultado adverso não encerra a vida esportiva nem define a identidade de um atleta trouxe a maturidade necessária para encarar ciclos futuros com mais equilíbrio e autocompassão.

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