Jéssica Fazzio: maratona sub-3, escolhas e fases da vida
Maratonista reflete sobre conciliar alta performance, carreira corporativa e momentos em que a vida pede desaceleração.
Em conversa no podcast Girls Who Run, Jéssica Fazzio detalha sua trajetória desde as primeiras corridas na esteira até a conquista do sub-3 na Maratona de Berlim. A atleta amadora discute os custos da alta performance, frustrações em prova e a importância de adaptar o esporte aos diferentes momentos da vida.
Neste episódio do Girls Who Run, a maratonista Jéssica Fazzio revisita sua jornada no esporte e analisa o desafio de equilibrar a ambição de correr rápido com as demandas da vida adulta, da carreira no marketing e de momentos pessoais delicados. Confira o resumo de cada tema abordado na conversa.
Quem é a Jéssica dentro e fora da corrida
Jéssica descreve sua personalidade intensa em tudo o que se propõe a fazer, tanto nos hobbies quanto na carreira de quase uma década no marketing corporativo de uma multinacional. A maratonista reflete sobre o desejo constante de buscar sua melhor versão, entendendo que o amadurecimento exige aprender a fazer escolhas e reconhecer que não é possível ser 100% em todas as áreas simultaneamente.
O início no esporte e a primeira meia maratona
Após nadar na infância e se afastar do esporte na adolescência, Jéssica retomou a atividade física aos 18 anos na esteira de casa para cuidar da saúde mental. O hábito despretensioso de correr ouvindo música ganhou novo rumo em 2017, durante um intercâmbio de seis meses em Boston, quando a convivência com corredoras universitárias a inspirou a completar sua primeira meia maratona em São Paulo.
Entrada na assessoria e estreia em Chicago
Ao decidir encarar os 42 km, Jéssica ingressou na assessoria esportiva do treinador Nelson. Sua estreia ocorreu na Maratona de Chicago, em 2019, corrida de forma conservadora e focada no prazer da experiência, cruzando a linha de chegada em 3h48 sem cobrança excessiva por ritmo, o que consolidou seu amor pela distância.
Evolução na pandemia e a Maratona de Barcelona
Durante o isolamento da pandemia, os treinos de rodagem acumulados na esteira construíram uma base aeróbica sólida. Sem a pressão de provas imediatas, Jéssica evoluiu expressivamente e, ao disputar a Maratona de Barcelona em 2021, surpreendeu ao cravar o tempo de 3h14 com ritmo constante do início ao fim.
Maratona de Chicago 2022 e a busca pelo limite
Em sua segunda participação em Chicago, Jéssica decidiu arriscar e acompanhar o pelotão de sub-3 horas. Sentindo o desgaste muscular no terço final, ajustou o ritmo para não quebrar e fechou em 3h02, conquistando um grande recorde pessoal e aprendendo sobre a necessidade de não deixar a autocobrança ofuscar a jornada.
Propósito e emoção na Maratona de Boston
A Maratona de Boston representou um ciclo carregado de significado pessoal, fechando um ciclo de transformação que havia começado anos antes na cidade. Largando no primeiro pelotão com número de peito vermelho, Jéssica administrou o percurso desafiador e cruzou a linha de chegada sob chuva em um dos momentos mais marcantes de sua trajetória esportiva.
A conquista do sub-3 na Maratona de Berlim
Com uma preparação consistente e treinos encaixados, Jéssica alinhou na Maratona de Berlim 2023 focada em quebrar a barreira das três horas. Correndo junto aos marcadores de ritmo e mantendo a constância ao longo dos 42 km, a maratonista finalizou a prova em 2h59min41s.
O pós sub-3 e os custos da alta performance
Atingir a marca histórica trouxe à tona o vazio comum após grandes conquistas esportivas e levantou reflexões sobre as abdicações exigidas pelo alto rendimento. Com o aumento das responsabilidades no cargo de gestão e novas prioridades pessoais, Jéssica passou a questionar até que ponto valia a pena manter uma rotina de extrema renúncia.
A frustração em Valência e o resgate da leveza
Tentando conciliar treinos majoritariamente feitos na esteira com desafios pessoais e familiares, Jéssica enfrentou um dia quente e quebrou na Maratona de Valência, fechando em 3h06. A experiência serviu para desconstruir a obrigação de entregar sempre resultados perfeitos, resgatando a leveza na relação com o esporte.
Maratona da Califórnia (CIM) e superação pessoal
Em meio a uma fase delicada de saúde na família, Jéssica viajou sozinha para disputar a California International Marathon (CIM), em Sacramento. Mesmo treinando quase todo o volume na esteira e enfrentando dores no pé no trecho final, concluiu em 3h08 com um sorriso no rosto, ressignificando a prova como um momento de autocuidado e celebração íntima.
Respeito às fases da vida e o sonho de Nova York
O debate reforça a importância de aceitar que o esporte assume diferentes papéis conforme o momento de vida. Jéssica explica sua empolgação para a Maratona de Nova York, encarando a prova não como uma busca cega por marcas numéricas, mas como uma oportunidade privilegiada de vivenciar a corrida com plenitude.
Reconstrução da performance e autoconfiança
Após dois anos de adaptações na rotina, a maratonista relata o processo de voltar a treinar na rua e reconquistar a confiança no próprio condicionamento. O foco está em encarar os treinos com curiosidade e maturidade, evitando comparações diretas e injustas com fases anteriores da carreira.
Sprint final e conselhos sobre prioridades
No quadro de perguntas rápidas, Jéssica elege Boston como sua prova inesquecível, declara seu apreço pelas rodagens leves e deixa um conselho prático: abrir mão de tentar dar conta de tudo e aprender a priorizar o que realmente importa em cada estágio da vida.