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Como Jéssica Fazzio evoluiu na pandemia até 3h14 em Barcelona

Sem pressão de provas, corredora construiu base na esteira, conquistou índice em Barcelona e baixou marcas no 10k e 21k.

Jéssica Fazzio compartilhou no Girls Who Run como o período de isolamento e o aumento de volume na esteira transformaram seu rendimento. O processo culminou na marca de 3h14 na Maratona de Barcelona e em recordes pessoais nos 10 km e na meia maratona.

A transição de uma corredora amadora convencional para ritmos expressivos raramente acontece do dia para a noite. Para Jéssica Fazzio, o processo foi construído quilômetro a quilômetro: após começar com ritmos na faixa de 7:00/km e 6:00/km, encaixar os primeiros treinos no pace de 4:00/km parecia uma realidade de atleta profissional. Depois de estrear nos 42 km com 3h48 e ser novamente sorteada para Chicago, a chegada da pandemia de Covid-19 em março de 2020 impôs uma pausa forçada no calendário competitivo.

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A base silenciosa na esteira durante o isolamento

Com as restrições de circulação e o cancelamento das provas presenciais, Jéssica adquiriu uma esteira para treinar em casa. Sob a orientação de seu treinador, Nelson, os treinos focaram quase que exclusivamente em rodagens contínuas. Sem o desgaste e a cobrança de um ciclo específico de intensidade, o volume semanal subiu de forma consistente para a faixa de 60 km a 70 km, criando um alicerce aeróbico que viria a sustentar saltos expressivos nos anos seguintes.

Como Jéssica Fazzio evoluiu na pandemia até 3h14 em Barcelona

O retorno aos parques e a descoberta de novos ritmos

Quando os espaços públicos começaram a ser liberados em 2021, o impacto de mais de um ano e meio de base se manifestou nos treinos de intensidade. Sessões intervaladas no parque passaram a rodar com facilidade abaixo de 4:00/km, e treinos contínuos de 16 km no Parque Bruno Covas foram sustentados no pace de 4:30/km. O objetivo inicial de Jéssica — conquistar o índice para a Maratona de Boston com uma marca de 3h25 — começou a se mostrar modesto diante da sua real condição física.

Maratona de Barcelona 2021: consistência e 3h14

Com as fronteiras dos Estados Unidos ainda fechadas e a participação em Chicago inviabilizada em 2021, a alternativa foi disputar a Maratona de Barcelona, uma das primeiras grandes provas internacionais reabertas a estrangeiros. A planilha apontava um ritmo para fechar entre 3h10 e 3h15. Jéssica optou por largar junto ao pelotão de 3h15 para evitar quebras no percurso e manteve uma cadência uniforme do início ao fim, cruzando a linha de chegada em 3h14.

Quebra de marcas nos 10 km e na Meia Maratona

A confirmação da evolução deu início a novas metas para o primeiro semestre de 2022: correr 10 km abaixo de 40 minutos e uma meia maratona abaixo de 1h30. Logo em fevereiro, ao disputar a desafiadora Meia Maratona de São Paulo focada apenas no esforço por percepção, Jéssica completou o percurso na casa de 1h29, além de posteriormente romper a barreira dos 40 minutos nos 10 km.

O esporte como construção de identidade

Mais do que números no relógio, a evolução na corrida refletiu um processo profundo de autonomia e identidade individual. Em um ambiente de trabalho ou na rotina corporativa, o esforço nem sempre se traduz em resultados imediatos ou proporcionais; no esporte, a relação entre dedicação nos treinos e retorno na linha de chegada é direta. Essa sensação de controle e merecimento transformou o esporte em um pilar de autoconfiança para encarar os desafios da vida adulta.

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