Jéssica Fazzio e a superação na Maratona da Califórnia
Entre desafios pessoais e treinos na esteira, maratonista completou a técnica CIM em Sacramento fechando em 3h08.
Jéssica Fazzio encarou a California International Marathon (CIM) em um momento desafiador da vida pessoal. Com a maioria dos treinos feitos na esteira, a atleta completou a prova em 3h08 com leveza e gratidão.
Correr uma maratona exige dedicação física e estabilidade emocional, mas nem sempre o ciclo perfeito se alinha à rotina fora do esporte. Ao participar do podcast Girls Who Run, Jéssica Fazzio compartilhou os bastidores de sua participação na California International Marathon (CIM), prova tradicional realizada em Sacramento, nos Estados Unidos, encarada em meio a momentos delicados na vida pessoal.
Com um quadro de doença na família e uma recente promoção profissional, a atleta precisou equilibrar visitas a hospital, novas responsabilidades na carreira e a preparação para os 42 km. A viagem solo para o norte da Califórnia teve forte valor simbólico: a proposta era correr por si mesma, resgatando a essência do início na modalidade, sem a obrigação de bater marcas ou provar algo a terceiros.
Desafios do percurso e ciclo na esteira
A CIM é conhecida no circuito norte-americano por ser uma prova rápida, com chegada em frente ao Capitólio Estadual em Sacramento, mas com altimetria que exige atenção. O trajeto é marcado pelo relevo ondulado (rolling hills) e por longos trechos de declive, demandando preparação muscular específica para absorver o impacto das descidas.
Diante das restrições de tempo e das demandas familiares, Jéssica precisou realizar cerca de 90% do volume da planilha na esteira, incluindo treinos longos de 32 km e blocos com ritmo entre 4:10 e 4:15 min/km. Embora os treinos para buscar um tempo sub-3 horas tivessem sido cumpridos, o estímulo indoor não simulava as exigências das descidas no asfalto.
A prova em Sacramento e a chegada com sorriso
No dia da prova, a maratonista passou a primeira metade em 1h29, mantendo um ritmo forte. A partir do quilômetro 28, o desgaste acumulado e as dores no pé decorrentes do impacto cobraram o preço muscular nas transições de subida e descida.
Em vez de frustração, a atleta optou por administrar o ritmo com leveza: ajustou a meta progressivamente para a faixa de 3h05 e depois 3h10, cruzando a linha de chegada em 3h08. O resultado coroou uma maratona marcada pela capacidade de adaptação e pela celebração de estar na linha de chegada mesmo nas fases mais complexas da vida.