Como Jéssica Fazzio encarou a estreia na Maratona de Chicago
Sem obsessão por pace e priorizando a experiência, corredora estreou nos 42 km em 3h48 após contornar lesões no ciclo.
Em conversa no Girls Who Run, Jéssica Fazzio relembrou o início dos treinos em assessoria e a preparação para sua primeira maratona. Com foco em completar bem a prova e respeitar o corpo, ela cruzou a linha de chegada em Chicago marcando 3h48.
Antes de ingressar formalmente no universo das assessorias esportivas, Jéssica Fazzio mantinha uma relação individual e quase isolada com a corrida. A virada de chave aconteceu no fim de 2018, quando decidiu se preparar para os 42 km e passou a treinar sob orientação do técnico Nelson Evêncio. A mudança abriu as portas para um cenário até então desconhecido: os treinos matinais na USP e no Parque Ibirapuera repletos de corredores dedicados à rotina de preparação.
Planos frustrados e a vaga em Chicago
A ideia inicial de Jéssica era estrear na Maratona de Porto Alegre, marcada para junho, e em seguida disputar a Maratona de Chicago, para a qual havia sido sorteada. No entanto, viagens de fim de ano e Carnaval resultaram em uma inflamação no joelho que a forçou a abortar a participação na prova gaúcha e concentrar todos os esforços na major norte-americana.
O ciclo de treinos exigiu adaptações importantes. Enfrentando canelite crônica pelo aumento de volume característico da distância, a preparação praticamente aboliu os treinos intervalados estruturados. O foco foi quase que exclusivamente em rodagens consistentes, construindo a base aeróbica necessária sem sobrecarregar a tíbia.
A estratégia para cruzar a meta feliz
Com receio de quebrar ou sofrer nos quilômetros finais, Jéssica pediu uma estratégia conservadora ao treinador. A orientação de Nelson foi clara: não correr abaixo do ritmo de 5:20 min/km em hipótese alguma. Monitorando o relógio para evitar empolgações precoces, a maratonista sustentou a passada planejada e cruzou a linha de chegada em 3h48, dentro da meta estipulada de 3h45 a 3h50.
O valor da humildade de ser iniciante
Ao relembrar a experiência, Jéssica destaca que o maior erro de quem vai estrear nos 42 km é carregar cobranças excessivas de pace, índices para Boston ou marcas como o sub-3. A pressão desmedida costuma transformar uma conquista marcante em um trauma desnecessário.
Para quem encara o primeiro ciclo, cada barreira superada — como o primeiro treino longo acima de 20 km ou 30 km — traz um nervosismo e uma satisfação que nunca mais se repetem da mesma forma. A recomendação fundamental é abraçar a postura de aprendiz, respeitar a distância e priorizar cruzar a linha de chegada com uma memória positiva para os próximos desafios.