Como transformar métricas de marketing em dados de negócio
Simone Justiniano explica a comunicação interna na Delfia, o diálogo com o board e a criação de um banco de imagens próprio.
Em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, Simone Justiniano, diretora de marketing da Delfia, aborda os desafios da comunicação interna no mercado B2B de tecnologia. Justiniano detalha como traduzir indicadores de marketing para a linguagem do negócio e explica a criação de um acervo visual próprio com diversidade brasileira.
Simone Justiniano, diretora de marketing da Delfia, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre os desafios de consolidar o posicionamento de marca internamente e a necessidade de conectar as ações do setor aos resultados da empresa. O trecho integra uma conversa mais ampla sobre liderança e o papel do marketing no mercado B2B.
No vídeo acima, Justiniano detalha os bastidores das discussões com a liderança da empresa e exemplifica a importância de adotar uma postura propositiva para defender a identidade da organização. Para ela, o alinhamento com áreas técnicas e financeiras depende de entender a rotina de cada setor: "A Delfia conversa com três públicos, o ecossistema dela é são os curadores que a gente chama, que são os colaboradores, os parceiros de tecnologia e os clientes."
Tradução de métricas para a linguagem do negócio
Ao abordar a rotina de reuniões com outras diretorias, Justiniano destaca que falar a linguagem das lideranças corporativas é essencial para demonstrar a relevância da comunicação. Ela pontua que apresentar métricas estritamente digitais para áreas como finanças enfraquece o diálogo: "Você vai conversar com o CFO, eu vou até estender isso, você vai conversar com qualquer outra área de marketing, você tá querendo engajamento deles ou provar valor em alguma coisa. Você trazer as métricas de marketing, engajamento, clique, curtidas, a gente tá falando de algo que não se conecta com aquelas pessoas. Então, como é que você pega os indicadores, as ações de marketing e transformam em dados de negócio ou questões que fazem aquela área ver vantagem?"
A busca por esse entendimento motivou Justiniano a cursar um MBA em Gestão de Negócios, ampliando seu repertório em contabilidade, matemática financeira e economia. "Eu aprendi que sem marketing não existiriam empresas", afirma, reforçando que o setor precisa se posicionar de forma estratégica para compreender as dores da operação e contribuir diretamente com as vendas.
Todos os colaboradores como guardiões da marca
Para Justiniano, a consistência de um posicionamento não depende exclusivamente do departamento de marketing. A responsabilidade se estende a toda a organização, exigindo firmeza diante de desvios na aplicação da identidade: "O marketing tem a frase que você já deve ter ouvido muito, 'O marketing é o guardião da marca'. Na verdade, todos os colaboradores são guardião, ainda mais a camada de liderança."
Justiniano explica que orientar e alinhar a postura pública de diretores requer profissionalismo e argumentos sólidos, mantendo a coerência da mensagem transmitida ao mercado independente do cargo ocupado.
O case do banco de imagens próprio
Um dos principais desafios enfrentados por Justiniano na Delfia foi a defesa da criação de um acervo fotográfico exclusivo. O setor de tecnologia frequentemente recorre a bancos de imagens genéricos, o que gerava repetição visual entre parceiros e concorrentes. Diante da resistência interna quanto aos custos, Justiniano sustentou a proposta com base na coerência com a identidade da empresa: "Como que a gente diz que a Delfi é uma empresa de tecnologia em que as pessoas é o ativo principal, a inteligência humana? Eu sou uma empresa brasileira e eu tenho gringos na toda a comunicação."
Utilizando a autonomia do orçamento do setor, o projeto foi executado com atores brasileiros e foco em diversidade, consolidando um diferencial competitivo. "A gente tem um banco de imagem, mas não é sobre banco. É sobre confiança e sobre verdade", resume Justiniano.
Brasilidade como diferencial competitivo
A valorização de elementos locais foi apontada como um fator estratégico para marcas que operam no mercado nacional. Justiniano ressalta campanhas que abandonam referências estrangeiras para incorporar traços culturais brasileiros na comunicação, gerando maior proximidade com o público.
Bruno pontua movimentos de marcas conhecidas que assumiram pronúncias e termos informais em suas fachadas e campanhas, transformando a adaptação cultural em vantagem no mercado local.