Como o Escape 60 usa gamificação em equipes e marcas
Jeannette Galbinski detalha a aplicação de jogos de fuga para treinamento corporativo, inovação e construção de marca.
Jeannette Galbinski, diretora de marketing do Escape 60, explica como a experiência imersiva de jogos de fuga se tornou uma ferramenta corporativa. O modelo atende desde dinâmicas de liderança e treinamento até lançamentos de produtos e adequação à saúde mental nas empresas.
Jeannette Galbinski, diretora de marketing do Escape 60, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre o modelo de negócios de jogos de fuga presenciais e a expansão da empresa no mercado corporativo. Com unidades no Brasil e no México, a rede estruturou um portfólio de salas temáticas que combinam entretenimento e aplicações empresariais.
No vídeo acima, Galbinski detalha os bastidores da criação dos enigmas, os desafios de gestão de equipes dentro dos jogos e a evolução dos formatos presenciais e digitais ao longo dos últimos dez anos de operação.
Apresentação e a proposta do Escape 60
A proposta central do Escape 60 consiste em colocar grupos dentro de salas temáticas cenográficas, onde os participantes têm 60 minutos para desvendar mistérios e encontrar a saída. A dinâmica exige cooperação contínua e pensamento lógico sob pressão de tempo.
"Você se sente o protagonista dessa história. Tem o storytelling, você vive esse storytelling dentro da sala e tem 60 minutos para sair", afirma Galbinski ao descrever o formato. A empresa desenvolveu temas que variam de prisões e metrôs a salas de mistério, terror, aventura e opções infantis.
Trajetória profissional de Jeannette e criação do Escape 60
Formada em engenharia pela Escola Politécnica da USP e atuando como consultora empresarial, Galbinski ingressou na área de marketing após identificar a necessidade de estruturação em seu próprio negócio de consultoria. A fundação do Escape 60 ocorreu em junho de 2015, em parceria com outros três sócios com especialidades complementares em cenografia, negócios e criação de enigmas.
O lançamento coincidiu com um período de retração econômica no Brasil. "Fui para o marketing e para mim foi construção de uma marca, construção de um logo, construção, na verdade, nós construímos uma categoria de entretenimento que não existia no Brasil", relata Galbinski sobre a criação da operação.
Gamificação no ambiente corporativo e dinâmica de equipes
O uso corporativo da metodologia cresceu a partir da constatação de que o comportamento das equipes sob pressão dentro das salas reproduz as dinâmicas reais de trabalho. A empresa desenvolveu a metodologia MAP para apoiar psicólogos na observação estruturada de liderança, comunicação e gestão de tempo.
A aplicação corporativa inclui treinamentos, processos de recrutamento e convenções para públicos de diferentes portes. Segundo Galbinski, a experiência prática acelera a fixação de conceitos: "A gente faz muito trabalho com missão, visão, valores, quando muda a marca que a empresa quer passar para os colaboradores. Ao invés de eu passar num PowerPoint, eu passo em uma gamificação que a pessoa nem percebeu, ela aprendeu tudo".
Inovação, tecnologia e licenciamento nas experiências
A renovação das salas envolve parcerias de licenciamento com estúdios e marcas reconhecidas, como Paramount, Chaves e Turma da Mônica. Essas propriedades intelectuais ativam a memória afetiva dos jogadores e ampliam o alcance para públicos de diferentes faixas etárias.
"As primeiras salas eram apenas cadeados, eram coisas eram cadeados que você tinha que abrir. Hoje a gente tem 1 milhão de opções", explica Galbinski. A evolução técnica incluiu automação eletrônica, mecanismos ocultos e integração de equipes de engenharia focadas no design de jogos.
Creator economy, comunidades e presença multicanal
A estratégia de marketing da empresa abrange tanto influenciadores de grande porte quanto os próprios clientes como microinfluenciadores em suas redes. A operação também mantém a comunidade Escape Lovers para testar iniciativas e cocriar novos formatos.
Na distribuição de conteúdo, Galbinski aponta que diferentes canais atendem a perfis específicos de tomadores de decisão e consumidores, mantendo o e-mail marketing como principal canal de retorno no segmento B2B: "A nossa taxa de abertura é maior do que 30%. Há 10 anos, não mudou. Para a área corporativa é o que mais funciona".
Saúde mental, norma NR1 e ações corporativas externas
Com a introdução de diretrizes voltadas à saúde mental e prevenção ao estresse no trabalho vinculadas à norma NR1, as empresas passaram a demandar mais ações de descompressão e reconexão interpessoal. O Escape 60 adaptou suas dinâmicas para atender a essas necessidades in company e em feiras de negócios.
A infraestrutura inclui um ônibus temático itinerante utilizado para ações externas e ativações de marca em estandes, além de programas de seleção conduzidos diretamente dentro dos jogos para avaliar candidatos em situações práticas de resolução de problemas.
Desafios e adaptação do Escape 60 na pandemia
Durante o fechamento das operações presenciais na pandemia, a empresa colocou no ar uma versão digital do jogo em 15 dias. A iniciativa serviu para sustentar a lembrança da marca junto ao público infantil e corporativo por meio de parcerias e dinâmicas sob demanda.
"O meu papel na área de marketing era fazer com que as empresas, as pessoas, as escolas, não esquecessem do Escape", conta Galbinski. A estratégia incluiu jogos digitais gratuitos e campanhas de lançamento customizadas para clientes corporativos com alto volume de acessos simultâneos.
Inteligência Artificial, produtividade e o mercado brasileiro
O uso de inteligência artificial na operação ocorre em duas frentes: eficiência interna em CRM e marketing, e aplicação direta como mecânica interativa dentro dos jogos de fuga. A empresa desenvolveu salas nas quais os participantes precisam interagir com sistemas de IA para progredir nos desafios.
Galbinski e Bruno discutiram ainda a necessidade de qualificação tecnológica no país para acompanhar a transformação digital sem perder a relevância de setores estruturais, como o agronegócio, mercado que também tem demandado ações de capacitação e eventos imersivos.