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Branding imobiliário: como vender pertencimento e usar dados

João Henrique Firmino, da Vitacon, analisa a mudança no comportamento do consumidor e a evolução do discurso de venda.

Em conversa no Marketing - The Podcast, João Henrique Firmino explica por que o mercado imobiliário de alto padrão precisa ir além de atributos funcionais. Firmino detalha a transição do apelo de compra para o conceito de pertencimento e a leitura estratégica de dados.

João Henrique Firmino, diretor de marketing da Vitacon, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre como o setor imobiliário vem transformando sua comunicação de marca e o papel da inteligência de dados na formulação de estratégias que superam a simples lista de características físicas do imóvel.

O debate parte de pesquisas recentes sobre o setor, como o dado da Deloitte que aponta NPS 40% superior em incorporadoras digitais e o levantamento do Google indicando uma jornada média de 14 touch points digitais antes da primeira visita física a um estande. No vídeo acima, é possível acompanhar a conversa completa e as reflexões sobre a maturidade do setor.

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A jornada digital e a visão patrimonial da nova geração

Ao comentar a crescente relevância do digital, Firmino destacou que o aumento no NPS decorre diretamente do fortalecimento do autoatendimento e da conveniência exigida pelo consumidor atual. Para ele, marcas fortes não necessitam repetir conceitos básicos a todo momento quando contam com presença consistente em múltiplos canais e processos fluidos de atendimento.

Essa transformação acompanha também uma mudança de postura entre as faixas etárias mais jovens. Enquanto gerações anteriores viam o imóvel estritamente como garantia e lastro contra instabilidades econômicas, Firmino observa uma nova dinâmica na Geração Z: "a Geração Z volta a entender o imóvel, a compra de imóvel é interessante, mas não a compra de imóvel para moradia final, a compra de imóvel como diversificação de investimento". Trata-se de uma visão orientada à alavancagem patrimonial impulsionada pela evolução da educação financeira.

Branding imobiliário: como vender pertencimento e usar dados

Da realização de sonhos ao pertencimento de marca

Firmino descreve uma estratificação clara nas mensagens publicitárias do mercado imobiliário, dividida em três patamares. Na base, no segmento econômico, a comunicação se apoia no marketing de realização de sonhos, exigindo alta credibilidade e desburocratização de processos. No padrão médio, o foco migra para o estilo de vida e o lazer familiar, promovendo espaços como quadras, piscinas e churrasqueiras.

No topo da pirâmide, contudo, a lógica muda por completo: "Quando você vai para o topo da pirâmide, como qualquer mercado de luxo, isso já não tá mais relacionado à realização de sonho, já não tá mais relacionado à vida que isso oferece, tá relacionado a pertencimento".

Segundo Firmino, o modelo tradicional pautado apenas em metragem e proximidade de pontos de interesse perdeu tração no alto padrão. "Ninguém compra mais um produto por comprar, antigamente você falava: 'Olha, duas quadras do Parque Ibirapuera' ou você tá aqui do lado da Estação Faria Lima, piscina na cobertura, muitos dados específicos, muito pautado a produto, a localização, como todo, e hoje você passa a falar de outras coisas", pontua.

Inteligência de dados combinada à leitura estratégica

Na Vitacon, a premissa de localização privilegiada passou a ser considerada um atributo já absorvido e precificado pelo consumidor, abrindo espaço para narrativas voltadas a valores mais profundos: "a gente fala em economia de tempo, a gente fala em vida em comunidade, a gente fala em vida minimalista".

Firmino reforça que a diferenciação das marcas mais preparadas para o futuro depende de evitar respostas literais a pesquisas de mercado. Quando todas as empresas identificam demandas por lazer e localização e respondem com os mesmos anúncios de features, o resultado é a comoditização no discurso.

Para superar essa barreira, a tomada de decisão deve integrar a análise quantitativa à sensibilidade comercial. O objetivo é transformar respostas brutas em posicionamentos claros que aumentem o recall e a força de marca da incorporadora no longo prazo.

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