Soft skills e liderança: como desenvolver times criativos
Roberto Kim defende que atitude, tolerância ao erro e proteção da equipe superam o foco exclusivo em métricas técnicas.
Em conversa com Bruno Gimenes, Roberto Kim analisa o peso das habilidades comportamentais na gestão de times criativos. O CEO da EDGE Productions explica como estruturar lideranças acessíveis, lidar com falhas no processo e alinhar propósito nos negócios.
Roberto Kim, CEO da EDGE Productions, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre o peso das habilidades comportamentais na formação de equipes, a postura de liderança necessária para lidar com novas gerações e a definição de propósito nos negócios. O trecho aborda a dinâmica de trabalho no audiovisual e os desafios práticos de gestão.
Para assistir aos detalhes da dinâmica e aos exemplos práticos compartilhados durante a conversa, confira a gravação completa no vídeo acima.
Habilidades comportamentais e formação técnica
Ao analisar os critérios de contratação e desenvolvimento de profissionais para a operação audiovisual, Kim coloca as competências comportamentais à frente do domínio instrumental imediato. Na visão dele, o manuseio de equipamentos e ferramentas pode ser repassado rapidamente na prática operacional, enquanto traços como disposição e integridade dependem de bagagem pessoal.
"Se eu pegar uma câmera agora, pode ser até a melhor que for, mano, mais que demore, seis meses eu a gente consegue começar a trabalhar", afirma Kim ao contrapor a facilidade do aprendizado técnico à complexidade das atitudes no ambiente profissional. Segundo ele, o processo seletivo deve priorizar a disposição para aprender: "O que a gente é mais difícil de ensinar são soft skills. Então, o que eu olho nas pessoas é a vontade, tipo assim, primeiro é vontade, depois eu olho um pouco mais a questão da das aptidões e o que que ela tá mais propensa a fazer".
A relação com o erro e a gestão da nova geração
O modelo de gestão defendido por Kim envolve desmistificar o erro no processo produtivo. Em vez de adotar punições formais, o foco da liderança reside em orientar a conduta do profissional diante da falha, estabelecendo parâmetros claros de correção e responsabilidade.
"Errar faz parte do processo. Se não deixar errar, não tem processo", pontua Kim, complementando que a tarefa da liderança é direcionar o comportamento corretivo: "E se você errar, eu vou te ensinar a ter uma atitude em cima do erro". Para ele, a aproximação com os colaboradores mais jovens exige clareza nas expectativas e diálogo direto, sem depender de discursos de motivação externa: "Ser uma boa pessoa, cara, tem que vir de casa. Ter vontade, é de você, não é meu".
Propósito de longo prazo e métricas de sucesso
A definição de metas nos negócios foi outro ponto abordado no diálogo. Kim argumenta que a remuneração financeira opera como meio para viabilizar as operações e o crescimento da empresa, mas não funciona isoladamente como propósito final de uma carreira sustentável.
"O que eu entendi de business é que a jornada de tentar chegar aonde você quer, nessa busca da perfeição, que é o legal", explica Kim. Ao refletir sobre a evolução anual da empresa e da vida profissional, ele reforça a necessidade de avaliar o valor concreto construído: "O propósito tem que ser algo meio que intangível, na verdade. Tipo assim, tem que ser algo que é tão maior do que eu, que não é chegar lá". Bruno observa, em consonância, que o dinheiro cumpre o papel de recurso para permitir a entrega de projetos com significado.
Acessibilidade executiva e proteção da equipe
Kim também abordou a postura da alta gestão diante de atritos com clientes e hierarquias corporativas. Para o gestor, intermediários muitas vezes filtram problemas reais, o que justifica manter canais diretos e acessíveis entre liderança e operação para resolver gargalos reais de trabalho.
"Eu tenho que mostrar para eles que eu tô no time deles. Esse é o trabalho do CEO", afirma Kim. Ele relata ocasiões em que interrompeu produções quando percebeu desrespeito à sua equipe por parte de contratantes, defendendo que o líder precisa assumir riscos financeiros para garantir condições dignas de trabalho. Para Kim, a segurança psicológica reflete diretamente na transparência da operação: "Você não tem que ter medo de trabalhar. Errou, errou. Tem uma boa atitude com erro. Errei, desculpa, como eu posso arrumar ajudar, como eu posso resolver, o que é que eu posso fazer por você".