Como liderar a nova geração e repensar formatos de trabalho
Roberto Kim explica por que a resistência a jovens talentos reflete falhas de gestão e como a tecnologia mudou as opções de carreira.
Em conversa no Marketing - The Podcast, Roberto Kim analisa a relação das empresas com as novas gerações e a importância de criar ambientes de trabalho adequados. O debate aborda propósito, liderança e a descentralização gerada pela produção mobile.
Roberto Kim, CEO da EDGE Productions, discutiu, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, a forma como o mercado corporativo enxerga e lida com os jovens talentos. Para Kim, as críticas direcionadas às novas gerações ignoram que a inexperiência no início da carreira é uma característica comum a qualquer época, além de desconsiderarem as qualidades comportamentais dos profissionais mais jovens.
No vídeo acima, a discussão aprofunda a dinâmica da produtora com jovens criadores e a postura de liderança necessária para gerenciar equipes contemporâneas. Kim rejeita o discurso recorrente de que os iniciantes não sabem produzir e destaca a postura comunicativa deles: "Eu trabalho com eles, eles não têm tanto trauma, eles não têm tanto problema, eles são muito mais... por não ter muito trauma, eles se dão a liberdade de poder conversar com você mais. Eles vão te conversar de temas que você não conseguia falar quando você tinha a idade deles".
O papel do formato de trabalho na retenção de talentos
Segundo Kim, quando um colaborador jovem não atinge os resultados esperados, a responsabilidade principal costuma estar na estrutura fornecida pela própria organização. Em vez de exigir que as pessoas se adaptem a métodos antigos sem questionamento, a liderança precisa construir ecossistemas que viabilizem o desenvolvimento individual.
"Eu entendo que eu contrato uma pessoa e eu tenho que dar um local e um formato para que ela possa brilhar. Se ela não brilha porque o meu formato é ruim, então o meu formato é ruim, velho. Eu tenho que mudar", explica Kim. Bruno observa que há um movimento social de pais mais presentes e novas dinâmicas familiares que moldam essa geração com menos bloqueios para interagir e questionar.
Kim pontua que a frustração dos líderes geralmente decorre da incapacidade de conduzir a relação: "A gente não sabe lidar com a nova geração. E muitas vezes a gente quer descontar neles". Ele ressalta que busca compartilhar erros e aprendizados do próprio passado para orientar o time, fornecendo o suporte técnico e a mentoria que não existiam no início de sua trajetória.
Posicionamento, cultura e o simples bem feito
Ao abordar a identidade das marcas e produtoras, Kim destaca que a criação de uma cultura forte atrai tanto clientes quanto colaboradores alinhados ao propósito do negócio. No mercado brasileiro, onde o volume de produção de conteúdo é expressivo, o diferencial competitivo reside na consistência da entrega.
"No Brasil, o simples bem feito você estoura", afirma Kim, ao defender que empresas que possuem clareza de rumo constroem identificação genuína com seu público. Para ele, métricas financeiras isoladas não sustentam uma organização no longo prazo: "A gente quer o caminho onde as pessoas venham pela gente, pelo que a gente é, pelo que a gente pode oferecer como trabalho, óbvio, mas eles entendem o nosso propósito. Empresa sem propósito é empresa sem posicionamento".
A tecnologia mobile e as novas opções de renda
Outro ponto central levantado na conversa é a descentralização trazida pelas ferramentas digitais e pelos smartphones. Diferente de períodos anteriores, em que as opções de primeiro emprego eram restritas a vagas operacionais rígidas ou cargos tradicionais, hoje um jovem munido de um celular tem alternativas viáveis de monetização como criador ou filmmaker.
Para Kim, essa mudança altera a exigência dos profissionais em relação ao ambiente corporativo. "Sabe por que a geração antiga não gosta da nova? Porque eu com um celular, eu tiro mais do que você tirou com 50 anos de emprego", pontua Kim. Ele complementa que postos de trabalho desinteressantes perdem atratividade quando há caminhos autônomos: "Se hoje eu com o celular eu consigo tirar 3, 4, 5 pau, para que que eu vou ganhar 3, 4, 5 pau para ficar sendo estoquista nessa loja?". O desafio das lideranças, portanto, passa por construir funções que ofereçam perspectiva, estímulo e aprendizado real.