"IA é ferramenta para preparar o terreno", diz Roberto Kim
O CEO da EDGE Productions analisa o papel da tecnologia no apoio aos processos operacionais e na preservação da criação.
Em entrevista ao podcast, Roberto Kim aborda o uso prático de inteligência artificial em produtoras criativas. O convidado explica como a tecnologia organiza processos administrativos sem substituir a sensibilidade dos talentos humanos.
Roberto Kim, CEO da EDGE Productions, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre como a inteligência artificial e a automação de processos se inserem na rotina de uma produtora criativa sem descaracterizar o trabalho artístico. O trecho integra uma conversa mais ampla sobre o setor audiovisual.
No vídeo acima, Kim detalha como estrutura as ferramentas da empresa e debate a percepção corrente de que a tecnologia precisa assumir todas as frentes de um negócio.
A visão funcional sobre inteligência artificial
Para Kim, o debate sobre tecnologia costuma cair em extremos de adoção integral ou rejeição total, tratando a inteligência artificial como uma chave binária em vez de um instrumento prático de suporte. Ele compara a IA a recursos cotidianos de produtividade e gestão comercial.
"A IA é uma ferramenta como qualquer outra. Você usa de acordo", afirma Kim. "Não é um negócio que é um switch. É on-off. É tipo assim, é IA ou não é IA. Não é tudo. Então, o que as pessoas acabam confundindo é que elas querem trazer a IA para tudo. A IA tem funções específicas e quem determina é muito você, dentro do seu processo."
Divisão entre operação administrativa e criação
Na EDGE Productions, a aplicação prática da tecnologia se concentra nas rotinas de gestão e retaguarda, reduzindo atritos mecânicos para dar suporte à equipe criativa. Kim relata que a estrutura financeira, contábil e administrativa foi desenhada com processos orientados por inteligência artificial, conduzida operacionalmente por um único profissional da área.
Por outro lado, o desenvolvimento de ideias e peças permanece centrado em pessoas. Kim cita a liderança de seu sócio, José, na criação e reforça que a tecnologia apenas limpa o caminho: "Todas essas ferramentas, elas servem para adequar o terreno para quando o meu jardineiro, que é o José, vai lá fazer o trabalho dele, tá preparadíssimo. Então, a IA, na verdade, não é para ela vir mudar o mundo. Ela é uma ferramenta como qualquer outra, como um CRM, como um WhatsApp Business, como qualquer outra coisa."
O limite da substituição e o risco do excesso
Ao abordar os excessos de substituição humana, Kim aponta os efeitos colaterais de decisões precipitadas no mercado digital. Ele cita o exemplo da Meta, que enfrentou instabilidades e reclamações em suporte e desempenho de anúncios após demitir 8.000 funcionários e delegar atendimentos integralmente a sistemas automatizados.
"Não dá para você tirar o elemento humano da coisa", pontua Kim, destacando que a empresa segue contratando profissionais para sua equipe criativa. Ele também adverte contra automações que tornam fluxos de trabalho mais lentos e burocráticos em vez de simples: "Automação é só para você preparar o terreno. Tudo que você puder automatizar para facilitar, e é literalmente isso, porque tem muitas automações que eu não acho automação. O cara complicou mais o negócio para poder fazer a mesma coisa."