Automação e escala em produtoras, com Roberto Kim
CEO da EDGE Production detalha o uso de IA no financeiro, a força dos vídeos verticais e a liderança da Geração Z.
Roberto Kim discute como a automação administrativa e financeira permite escalar operações criativas sem inflar equipes. O executivo também analisa a transição da publicidade para formatos verticais e a gestão de jovens talentos.
Roberto Kim, CEO da EDGE Production, participou de conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast para debater como a tecnologia e a automação transformam a operação de produtoras criativas. Ao longo do episódio, Kim detalhou como estruturou sua empresa para crescer com equipe enxuta, integrando inteligência artificial em rotinas administrativas e financeiras enquanto preserva o fator humano na criação.
Para acompanhar as demonstrações práticas de fluxo operacional e os exemplos visuais citados pelos participantes, assista ao vídeo completo da entrevista acima.
A visão da EDGE Production e o posicionamento no audiovisual
Kim explica que a produtora nasceu com foco direcionado às novas gerações e com a meta de construir uma marca proprietária, distanciando-se do modelo tradicional de prestação de serviços comoditizado. O objetivo da empresa é se consolidar como referência para criadores de conteúdo, videomakers e profissionais de social media.
"Quando perguntam para mim o que que a Edge é, eu falo que a Edge é uma marca e vai ser uma das maiores marcas dentro do audiovisual", afirma Kim. Segundo ele, fugir do papel exclusivo de fornecedor técnico permite construir conexão direta com o público e atrair clientes pelo alinhamento com a identidade da produtora.
A força do conteúdo vertical e o novo papel da publicidade
Na avaliação de Kim, o mercado publicitário ainda enfrenta dificuldades ao insistir em modelos focados em peças únicas de campanha horizontal, negligenciando a volumetria necessária no topo de funil. O formato vertical tornou-se a ferramenta central para capturar atenção contínua e preparar a audiência antes de grandes lançamentos comerciais.
"O vertical hoje é o topo do funil, as pessoas não entenderam, então tá todo mundo gastando dinheiro, tá todo mundo torrando dinheiro, não sabem fazer conteúdos", pontua Kim. Ele reforça que o conteúdo institucional e de redes não deve focar apenas na exibição de portfólio ou venda direta do produto, mas no ecossistema e na conversa em torno do segmento.
Gestão de talentos e o trabalho com a Geração Z
Ao abordar a dinâmica de trabalho com jovens profissionais, Kim rejeita críticas generalistas sobre a produtividade da Geração Z. Para o executivo, o papel da liderança é construir ambientes que permitam o desenvolvimento dessas pessoas, oferecendo autonomia e segurança para a execução das tarefas.
"Eu entendo que eu contrato uma pessoa e eu tenho que dar um local e um formato para que ela possa brilhar", destaca Kim. Ele ressalta que a facilidade de criação com dispositivos móveis mudou o mercado de trabalho e que empresas precisam ter propósitos claros para atrair e reter talentos que buscam significado em suas atividades.
Aplicação da inteligência artificial em operações criativas
Sobre a adoção de IA, Kim defende o uso pragmático da tecnologia como suporte de produtividade, especialmente no suporte administrativo e na organização de dados internos. Na área criativa, a tecnologia funciona como auxílio técnico, mas não substitui o olhar diretivo e o repertório humano necessários para a concepção dos projetos.
"Ela é uma ferramenta como qualquer outra, como um CRM, como um WhatsApp Business, como qualquer outra coisa", explica Kim ao comentar sobre a importância de definir funções específicas para cada ferramenta sem tentar automatizar decisões que exigem sensibilidade estética ou compreensão do cliente.
Automação de processos financeiros e impacto na lucratividade
Um dos principais ganhos operacionais da EDGE Production veio da integração entre o sistema de gestão e ferramentas de organização como o Notion, permitindo a geração de relatórios de fechamento e DRE em tempo real. Essa visibilidade possibilita tomar decisões de precificação e investimento baseadas em previsões concretas de fluxo de caixa.
"Tudo mudou na minha empresa quando eu trouxe os números", relata Kim. Com a automação de rotinas de controle financeiro e projeções comerciais, a liderança consegue manter a equipe operacional enxuta, reduzindo custos indiretos e focando recursos na contratação de profissionais para a linha de frente criativa.
Soft skills, cultura de liderança e propósito nos negócios
Nos processos de contratação, Kim prioriza traços comportamentais e disposição para aprender em vez de focar estritamente em habilidades técnicas, que podem ser ensinadas no dia a dia da produtora. A liderança assume o papel de proteger o time em situações adversas de campo e estabelecer uma relação aberta sobre a correção de falhas operacionais.
"O que a gente é mais difícil de ensinar são soft skills", conclui Kim. Para ele, a sustentabilidade de longo prazo nos negócios exige que o empreendedor persiga objetivos que ultrapassem o retorno puramente financeiro, encarando a receita como combustível para viabilizar projetos com impacto duradouro.