O que define uma cultura organizacional forte na prática
Luiz Scavarda explica por que a coerência entre o comportamento da liderança e o discurso molda a cultura da empresa.
Luiz Scavarda analisa a estrutura de uma cultura organizacional e detalha como alinhar valores teóricos à rotina prática das equipes. Em debate no Marketing - The Podcast, ele pontua o papel direto da alta liderança na consistência dos comportamentos internos.
Luiz Scavarda, CEO da Human SA, explicou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, os elementos que compõem a cultura de uma empresa e as barreiras mais comuns para sua consolidação. O episódio aborda diferentes dimensões da gestão corporativa, dedicando atenção central ao abismo frequente entre o discurso institucional e as práticas cotidianas.
No vídeo acima, Scavarda conceitua o termo a partir das bases que orientam o funcionamento interno das equipes. "A cultura é o conjunto de de crenças, de valores, de de comportamentos que são setados por uma organização e que acabam virando, né, a identidade da organização", afirma.
A diferença entre cultura desejada e cultura vivida
O principal obstáculo na gestão cultural surge quando diretrizes bem estruturadas no plano teórico não encontram respaldo na operação. Scavarda relembra o início de sua trajetória corporativa, quando passou 11 anos na Shell, uma organização marcada por processos formais. Naquele período, era padrão fixar murais com missão, visão e valores em todas as salas de reunião para orientar colaboradores, clientes e parceiros externos.
A formalização por escrito continua sendo uma etapa necessária, mas não assegura a execução real desses valores. Para Scavarda, a solidez de um negócio depende do grau de correspondência entre o que é planejado e o que é vivenciado: "A cultura forte é aquela organização que tem uma cultura vivida, aderente à cultura desejada".
O comportamento da alta liderança como referência
A sustentação dessa consistência parte das atitudes do topo executivo. Quando a liderança adota práticas divergentes dos valores declarados, estabelece-se uma inconsistência que enfraquece a organização, pois os times se espelham nos atos reais dos gestores, e não em diretrizes teóricas.
Scavarda pontua que o foco da equipe está sempre voltado para a conduta diária da liderança: "Os liderados, eles estão olhando para cima e vendo não o que tá escrito no painel de uma sala de, de reunião, por exemplo. Não o que é dito, por exemplo, pelo CEO numa reunião, mas sim o que é praticado". Segundo Scavarda, não se trata de classificar modelos como inerentemente melhores ou piores, mas sim de verificar se existe aderência entre o que a empresa fala e o que ela de fato executa.