IA é meio e não fim no trabalho, afirma Luiz Scavarda
No Marketing - The Podcast, executivo analisa o ganho de produtividade com inteligência artificial e a necessidade de senso crítico.
Luiz Scavarda explica que a inteligência artificial quadruplicou sua produtividade, mas alerta para o aumento da intensidade do trabalho. O executivo defende que a tecnologia exige conhecimento prévio para gerar resultados reais.
Luiz Scavarda, CEO e Partner da Human SA, abordou os impactos da inteligência artificial no ambiente corporativo e na rotina profissional durante entrevista a Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, em trecho do episódio sobre cultura organizacional que também contempla outros temas de gestão.
Para Scavarda, o primeiro passo para compreender o papel da tecnologia é entender sua função instrumental. Ele traça um paralelo direto com os processos de inovação dentro das empresas: a inovação não é o objetivo final, mas o caminho para entregar uma solução aderente às demandas do cliente.
Produtividade e o risco da sobrecarga cognitiva
O uso prático de ferramentas de IA trouxe ganhos expressivos de eficiência na rotina de Scavarda, mas gerou novos desafios operacionais. "A minha produtividade aumentou em quatro vezes desde que eu comecei a usar, e eu sou um usuário bem ativo de IA", relata. No entanto, a ideia de que a produtividade gera automaticamente mais tempo de descanso não se sustenta no dia a dia corporativo.
Segundo Scavarda, a carga horária tende a permanecer a mesma, enquanto o ritmo das atividades se intensifica. "O teu tempo, a tua carga horária, esse é um problema, porque você não acaba fazendo esse balanço, ela continua igual. Só que ela passa a ser mais intensa", pontua. Esse fluxo contínuo de dados exige mais esforço cognitivo e pode levar à estafa mental, repetindo dinâmicas observadas no uso constante de redes sociais.
No vídeo acima, Scavarda detalha exemplos práticos da rotina de projetos e explica como gerenciar a intensidade mental gerada pelo excesso de dados em apresentações executivas.
Conhecimento de base e o princípio da curadoria
A abundância de respostas geradas por IA não elimina a responsabilidade humana sobre o conteúdo final. Scavarda relata que o excesso de informações geradas por ferramentas automatizadas pode dificultar a síntese em apresentações estratégicas se não houver clareza sobre o objetivo do negócio. "A responsabilidade é sua, você tem que avaliar o que que efetivamente é importante para levar e o que que você não vai levar", afirma.
Para ilustrar a dependência entre a ferramenta e a capacidade analítica do profissional, Scavarda compara o momento atual com a popularização de planilhas eletrônicas no passado. "Me lembro na época que eu era estagiário, né, e você tinha o Excel, que era a revolução das planilhas. Era aquela questão básica, né? Shit in, shit out. Então, a IA é isso. Se você não sabe perguntar, se você não sabe analisar, interpretar, não vai ajudar de nada", diz.
Na visão de Scavarda, a IA atua como acelerador para profissionais que já dominam os fundamentos técnicos de sua área, e não como substituta do aprendizado conceitual.
Uma nova revolução na dinâmica de trabalho
Diante das incertezas sobre o mercado profissional, Scavarda não vê o fim dos postos de trabalho, mas uma transformação estrutural comparável a ciclos históricos anteriores. "A chegada da IA é uma nova revolução. Social, cultural, tecnológica, humana, é uma nova revolução, e a gente já viveu isso várias vezes no passado. A própria revolução industrial", destaca.
Scavarda rejeita a ideia de que a IA seja uma tendência passageira no ambiente de negócios. "Vejo como a rede social. Você pode brigar, pode ter todas as suas críticas, eu tenho várias, mas o fato é, chegou, vai continuar e você tem que se adequar para justamente usar o potencial que tem por trás", conclui.