Autoconhecimento e alinhamento de valores evitam o burnout
Luiz Scavarda explica o papel dos limites individuais e da coerência ética na sustentabilidade do trabalho.
A prevenção do esgotamento profissional exige autoconhecimento para impor limites e congruência entre os valores pessoais e organizacionais. Em debate sobre corresponsabilidade, Luiz Scavarda analisa as causas comportamentais de falhas e crises no ambiente corporativo.
Luiz Scavarda, CEO & Partner da Human SA, discutiu, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, como o esgotamento profissional está diretamente atrelado ao desconhecimento dos limites individuais e ao distanciamento entre os princípios do profissional e os da organização. O debate destacou que a estafa não é decorrência exclusiva das demandas corporativas, envolvendo também a gestão pessoal de fronteiras e prioridades.
No vídeo acima, Scavarda aprofunda como o discernimento sobre fortalezas e fraquezas opera na preservação da saúde no trabalho. Para ele, a responsabilidade pelo esgotamento é compartilhada: "Não tem como a empresa ser 100% responsável pro burnout. O indivíduo tem um papel muito importante. E começa com a parte dos limites."
Autoconhecimento e estabelecimento de limites
Ultrapassar a própria capacidade física e psicológica decorre, muitas vezes, da incapacidade de reconhecer onde terminam as forças produtivas. A ausência de clareza sobre deficiências e competências impede a imposição de barreiras funcionais diante de excessos de demanda.
"Autoconhecimento é chave para que a pessoa consiga entender os seus limites e coloque os seus limites", afirma Scavarda. Ao analisar o histórico corporativo de incidentes críticos, ele aponta que a totalidade dos acidentes fatais observados em sua trajetória era evitável, derivando de decisões em que fatores humanos prevaleceram: "Onde as pessoas, ou pela soberba, ou pela cultura do medo, não colocavam os seus limites ou não conheciam os seus limites."
Aderência de valores e integridade pessoal
A congruência entre o que o profissional acredita e as práticas exercidas pela empresa sustenta o contrato psicológico da relação de trabalho. Ambientes que exigem condutas incompatíveis com a ética individual geram rupturas internas que potencializam o estresse contínuo.
Para Scavarda, a tentativa de segmentar a identidade entre o ambiente doméstico e o corporativo não se sustenta no longo prazo: "Você é uma pessoa só. Então, não tem ah, eu na empresa eu vou seguir esses valores em casa eu vou seguir esses. Não, é o mesmo." Ele ilustra a divergência comum entre discurso e prática com executivos que cobram conformidade a processos na empresa, mas aceitam desvios de conduta fora dela, como parar em fila dupla ao buscar os filhos.
"Quanto mais aderente for aquilo que você acredita, aí no caso que você citou, valores, com aquilo que a empresa acredita, melhor vai ser a fórmula, né, digamos assim, o sucesso de longo prazo da relação funcionário-empresa e vice-versa", reforça Scavarda ao tratar da sustentabilidade profissional.