As empresas não estão preparadas para a NR-1, diz Scavarda
Atualização da norma estabelece corresponsabilidade das organizações na saúde mental e exige conscientização da liderança.
Em entrevista a Bruno Gimenes, Luiz Scavarda analisa o impacto da NR-1 na gestão de pessoas e na segurança psicológica. Ele detalha como o reconhecimento do burnout como doença transferiu a discussão da culpa individual para a responsabilidade compartilhada no ambiente corporativo.
Luiz Scavarda, CEO e Partner da Human SA, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, os impactos da Norma Regulamentadora 1 (NR-1) na rotina das organizações e a necessidade de estruturar a segurança psicológica no trabalho. O debate fez parte de um episódio dedicado à cultura organizacional e gestão de pessoas.
Historicamente, as diretrizes de segurança no trabalho focavam exclusivamente no corpo. "Há algum tempo atrás, no final da década de 70, na década de 80, 90, quando a gente falava de saúde, era muito vinculada à saúde física, ao acidente físico de trabalho", contextualiza Scavarda. Segundo ele, o impacto da pandemia acelerou a inclusão da saúde mental nas pautas corporativas, expondo um problema que sempre existiu, mas era ignorado por falta de maturidade entre líderes e liderados.
Da culpa individual à corresponsabilidade corporativa
Scavarda destaca que a postura das companhias diante do esgotamento profissional mudou com a oficialização médica da condição. "Se a pessoa tivesse um burnout, isso sempre existiu, apenas em 2022 foi criado o CID, ou seja, é uma doença, o burnout. Antes disso, já existia, mas a resposta das organizações, inclusive dos colaboradores, era a pessoa não aguentou a pressão", pontua. Sob essa ótica antiga de responsabilização individual, os profissionais omitiam sintomas, o que resultava em maior incidência de acidentes e afastamentos.
O avanço trazido pela NR-1 estabelece a corresponsabilidade das empresas na manutenção de um ambiente saudável. Como a exaustão raramente decorre de uma única fonte, a regulamentação reconhece a sobreposição de fatores. "O burnout, normalmente, ele tem como origem vários fatores, né? É multifatorial. Onde passa tanto para o aspecto pessoal, como também pelo aspecto corporativo", afirma Scavarda, destacando que ações preventivas reduzem índices de afastamento e geram ganho direto de produtividade.
Despreparo das organizações e conscientização da liderança
Ao avaliar se o mercado brasileiro está pronto para as novas exigências legais e comportamentais, Scavarda avalia que o processo ainda está no início. "Elas não estão preparadas para isso. Por quê? Porque quem são as empresas, né? As empresas não são um CNPJ. São pessoas. As pessoas hoje não estão preparadas para isso", ressalta. Para ele, a mudança depende de um trabalho contínuo de conscientização que precisa partir obrigatoriamente da alta liderança.
No vídeo acima, Scavarda detalha a evolução histórica das normas de trabalho e discute como a cultura interna interfere na saúde emocional das equipes.