Gestão de risco no ESG exige controle da cadeia de valor
A relação entre território, operação e a responsabilidade corporativa sobre terceirizados.
Ludmila Vilar discute a percepção prática dos impactos industriais fora dos grandes centros e os riscos de imagem que crises em fornecedores trazem para as marcas.
Ludmila Vilar, especialista em comunicação para sustentabilidade, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, como a compreensão sobre ESG depende da percepção territorial das operações e de uma fiscalização rígida de ponta a ponta na cadeia de fornecedores.
No vídeo acima, a discussão detalha a dinâmica entre indústria, poder público e a responsabilização legal e de imagem quando ocorrem falhas em empresas contratadas.
A territorialidade e a percepção da indústria
Ao discutir a rotina de cidades do interior paulista frente à capital, Vilar pontuou como o distanciamento dos grandes centros urbanos muitas vezes impede a visualização direta da atividade fabril e das demandas locais geradas pelas empresas. Enquanto na capital predomina o setor de serviços, nas cidades industriais o impacto social e ambiental da produção se torna visível no dia a dia da comunidade.
Vilar destacou que o contraste também aparece ao observar a presença do poder público em diferentes estados do país: "Quando você sai de São Paulo, do estado de São Paulo, você também nota muito o que é o estado, porque o estado é algo muito intangível".
Os bastidores da infraestrutura e o consumo invisível
A rotina nas metrópoles tende a naturalizar a disponibilidade de produtos e serviços sem evidenciar a malha logística e operacional envolvida. Vilar citou a complexidade do transporte de valores e da infraestrutura rodoviária interestadual como exemplos de processos essenciais que passam despercebidos pelo consumidor final.
Essa desconexão entre consumo e bastidores se reflete na forma como o público interage com itens manufaturados. Para Vilar, sair dessas bolhas de conveniência permite enxergar a origem dos bens materiais e o ecossistema necessário para manter a oferta em funcionamento contínuo.
Gestão de risco e corresponsabilidade por fornecedores
O debate abordou casos de repercussão negativa em marcas que enfrentaram crises trabalhistas ou de segurança envolvendo parceiros terceirizados. Entre os exemplos mencionados na conversa estão episódios de trabalho análogo à escravidão associados a cadeias têxteis e vinícolas, além de falhas graves na conduta de equipes de segurança privada em supermercados.
Para Vilar, a governança corporativa e as práticas socioambientais exigem que a empresa contratante assuma a responsabilidade sobre toda a sua cadeia de suprimentos, sem transferir a culpa exclusivamente a quem presta o serviço: "A empresa ela não pode se abster do risco. Por isso que a cadeia de valor, que é a maneira como a gente chama a cadeia de fornecedores, ela também entra na sua responsabilidade, quem é que você está contratando". Segundo Vilar, esse alinhamento representa um dos principais desafios da agenda ESG.