Curated
Voltar M @marketingthepodcast 3 min de leitura
business

ESG nasceu no mercado financeiro e não por moda, diz Ludmila Vilar

A especialista detalha a linha do tempo da agenda socioambiental e explica a exigência de dados na Bolsa de Valores.

Ludmila Vilar analisa as origens do conceito de ESG no mercado financeiro e desconstrói mitos sobre a pauta. Ela traça a evolução histórica desde a década de 1970 até as exigências de conformidade para empresas na Bolsa de Valores.

Ludmila Vilar, especialista em comunicação para sustentabilidade, explicou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, que a agenda ESG não surgiu como uma tendência passageira impulsionada apenas por apelos de propósito da Geração Z. Segundo ela, a estrutura nasceu das necessidades do mercado financeiro e da gestão de risco de investidores nas últimas décadas.

No vídeo acima, Vilar e Bruno examinam a evolução histórica da sigla e a mecânica prática de prestação de contas que rege a governança corporativa no Brasil e no mundo.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A raiz financeira e a mitigação de risco nos negócios

Ao abordar a percepção de que a sustentabilidade corporativa seria uma demanda recente ou restrita a discursos ideológicos, Vilar pontua que o movimento tem bases estritamente econômicas. Ela recorda que, entre as décadas de 1970 e 1990, o debate sobre responsabilidade social corporativa ganhou tração quando investidores buscaram blindar aportes contra setores de alta volatilidade e risco, como armas, jogos e pornografia.

"O ESG ele é um conceito muito capitalista, ao contrário do que muitas pessoas pensam", afirma Vilar. A executiva reforça que a análise sistemática de indicadores ambientais, sociais e de governança serve prioritariamente para calcular a segurança do capital: "O ESG ele é um movimento que começa pelos investidores. Então o ESG ele é um movimento, ele é uma metodologia, ele é uma enfim, ele é intimamente ligado ao capitalismo e a ao a ao lucro, à gestão a a segurança do seu do lucro das empresas, a segurança dos investimentos de fundos, de empresas, de investimento de pessoas físicas, enfim, ele nada mais é do que uma maneira de investidores correrem menos riscos".

ESG nasceu no mercado financeiro e não por moda, diz Ludmila Vilar

Linha do tempo institucional e o pacto global da ONU

A consolidação do termo ESG envolveu marcos institucionais ao longo de décadas. Vilar cita a Rio 92 como ponto de partida da visibilidade ambiental no Brasil e detalha a articulação que formulou a sigla em 2004. Naquele ano, o Pacto Global da Organização das Nações Unidas se uniu ao Banco Mundial para produzir o relatório Who Cares Wins ("Quem se importa ganha"), documento que batizou o conceito.

"Em 2004 o a o Pacto Global, que é esse organismo da ONU, se uniu com com o o Banco Mundial e eles lançaram um relatório que chamou assim, Who Cares Wins", explica. Vilar lembra que o Brasil reúne a segunda maior rede de empresas signatárias do Pacto Global da ONU no mundo. A cronologia seguiu com o lançamento dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI), em 2006, e com os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, estabelecidos em 2015 com metas para 2030.

Pressão regulatória na Bolsa e o rigor dos números

Embora a pandemia de Covid-19 em 2020 tenha evidenciado os impactos do desequilíbrio social e ambiental na operação das companhias, o avanço recente do ESG decorre de imposições de mercado. Companhias de capital aberto listadas na Bolsa de Valores no Brasil passaram a ter a obrigação de reportar indicadores socioambientais e de governança, o que transforma a transparência em critério financeiro.

Para Vilar, a demanda de consumidores da Geração Z existe, mas o fator decisivo para a prestação de contas continua sendo o capital: "Existe uma pressão chamada dinheiro, investimento. As empresas que tão com tem capital aberto na Bolsa, elas são obrigadas hoje a reportar indicadores que antes elas não eram". Ela conclui destacando o caráter técnico da disciplina: "Então é isso, ESG é algo muito racional, muito numérico. É claro que nada é só dado, né? Tudo precisa ser olhado ter um olhar humano, mas ele não é não tem nada de woke, não tem nada de oba oba, não tem nada de moda, entendeu? É uma ciência".

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @marketingthepodcast