Como métricas e pacto social moldam o ESG nos territórios
Ludmila Vilar explica como recursos hídricos, data centers e pressão comunitária transformam impacto local em gestão de risco.
A viabilidade de operações industriais e tecnológicas depende de indicadores socioambientais e da capacidade dos ecossistemas locais. Em debate no Marketing - The Podcast, Ludmila Vilar detalha como o ESG opera na prática como ferramenta de gestão de risco e diálogo comunitário.
Ludmila Vilar, especialista em comunicação para sustentabilidade, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, como a aplicação prática da agenda ESG depende de indicadores territoriais concretos e da avaliação de riscos socioambientais nas comunidades locais. O tema fez parte de uma discussão mais ampla sobre narrativas sustentáveis e maturidade corporativa.
No vídeo acima, a conversa aprofunda como decisões de instalação de fábricas ou infraestruturas de dados impactam diretamente os recursos naturais e a infraestrutura das cidades receptoras.
Indicadores de capacidade e pacto social
Para Vilar, a implementação do ESG passa diretamente por mensurar a viabilidade de uma operação dentro da realidade do município que a recebe. Quando uma nova indústria chega a uma localidade, a análise precisa ir além do ganho econômico e calcular o consumo de recursos essenciais, como água e energia, além da sobrecarga sobre moradia, transporte e serviços públicos.
Ao exemplificar a importância dessa avaliação, Vilar cita o caso de uma empresa de bebidas que tentou abrir uma unidade na Índia e foi impedida pela mobilização dos moradores. "A sociedade não deixou ela se instalar. Entendeu? Então, assim, é um risco ali para ela se instalar ali. Então, assim, ela já ela tentou, ela já perdeu dinheiro tentando, ela foi lá, tentou, forçou a barra, a sociedade não deixou", explica Vilar sobre o que classifica como quebra do pacto social.
A insistência em territórios saturados se converte em prejuízo direto para os negócios. Segundo Vilar, investidores precisam ponderar se vale a pena aportar capital em projetos que enfrentam resistência comunitária por disputar ativos básicos de sobrevivência: "Você precisa saber quanto ela vai usar de água, quanto vai ser usado de reuso, como qual é a relação que ela tem com a com a com a com a com o governo da cidade, com a comunidade da cidade".
O papel da comunicação e o impacto dos data centers
A articulação entre as demandas territoriais e as metas corporativas exige profissionais dedicados a integrar as diferentes frentes da organização. Vilar pontua que, embora o volume geral de vagas em sustentabilidade venha crescendo, ainda há poucas posições para comunicação ESG dentro das empresas. "Isso é fundamental, porque o um um um profissional especializado em ESG, ele conecta as áreas, ele conecta as pontas", afirma.
Essa conexão ganha relevância diante da expansão tecnológica e do avanço de ferramentas de IA, que demandam uma infraestrutura robusta de servidores. Vilar destaca que os data centers figuram entre os maiores consumidores de água para resfriamento de sistemas, tornando a chegada dessas instalações um tema sensível para governos e comunidades.
Citando debates sobre infraestruturas planejadas no Ceará e no interior de São Paulo, além de episódios abordados pelo podcast Rádio Escafandro, Vilar reforça que a população precisa participar das decisões locais para entender o volume hídrico consumido e as contrapartidas de reposição ambiental antes da consolidação dos projetos.