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COP30 e o papel da cultura corporativa na agenda ESG

Ludmila Vilar discute como a conferência climática amplia o escrutínio sobre as marcas e exige engajamento da liderança.

Em conversa no Marketing - The Podcast, Ludmila Vilar analisa o impacto de conferências climáticas na comunicação e nos negócios. O debate aborda a popularização de termos socioambientais, a negociação entre setores e a necessidade de transformar a cultura interna antes de aplicar estratégias.

Ludmila Vilar falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre o impacto da realização da COP30 no Brasil e como eventos dessa magnitude alteram a percepção pública sobre sustentabilidade, governança e cultura corporativa. O episódio integra uma discussão mais ampla sobre comunicação e práticas socioambientais no mercado.

No vídeo acima, Vilar contextualiza que a atenção voltada para a conferência em Belém ajuda a popularizar conceitos que antes ficavam restritos a nichos técnicos. Ela recorda que termos antes desconhecidos do grande público passaram a fazer parte do vocabulário corporativo e social à medida que os debates climáticos ganharam espaço.

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Popularização de pautas e escrutínio público

Para Vilar, a maior contribuição de encontros globais como a COP30 é trazer temas socioambientais para o cotidiano das empresas e da sociedade. Ao dar visibilidade a essas pautas, o ambiente de negócios passa a lidar com uma cobrança que antes não existia de forma tão ampla.

Ao explicar a dinâmica do evento, Vilar pontua que o processo de conferência reúne diferentes atores sociais em uma mesma mesa de negociação: "São as é é é a conferência das partes, então, você tem todas as partes de uma sociedade, iniciativa privada, governos, povos os povos originários, eh todos os movimentos tendo que negociar. Então, isso é é isso é ESG puro, porque a vida é assim". Ela afirma que o escrutínio sobre as organizações cresce à medida que os assuntos se tornam mais compreensíveis para o público geral.

COP30 e o papel da cultura corporativa na agenda ESG

A cultura corporativa antes da estratégia

Durante a conversa, Bruno menciona estudos de mercado sobre tendências de ESG e comunicação autêntica. Vilar destaca que qualquer avanço prático depende de mudanças estruturais na mentalidade interna da companhia, recorrendo à clássica máxima de que a cultura devora o planejamento se não houver alinhamento real.

"O que que ela quer dizer na prática, né? Ela quer dizer na prática que assim, não há estratégia no mundo, não há números, dados, forças, se a cultura do ambiente não for transformada", explica Vilar. Segundo ela, não basta contratar uma agência de publicidade para anunciar preocupações socioambientais se os colaboradores e os processos continuam orientados exclusivamente ao ganho financeiro imediato sem responsabilidade.

Vilar relembra um episódio de 2008, quando entrevistou o líder de uma empresa de aviação e encontrou murais onde o lucro aparecia explicitamente como o valor mais importante acima de qualquer outro. Para ela, esse tipo de comunicação tornou-se insustentável no mercado contemporâneo: "O lucro continua sendo fundamental, sem lucro não tem, não tem nada. Mas ele precisa ter mais, mas precisa, a gente precisa de mais responsabilidade pra consegui-lo".

Engajamento da liderança e coexistência de atores

A transformação corporativa, na visão de Vilar, depende diretamente do exemplo prático dado pelos executivos e gestores. "Não existe ESG se não tiver engajamento da liderança, porque é por aqui que começa", reforça ao tratar da coerência entre o discurso externo e as decisões do topo.

A conversa aborda ainda o papel dos ativistas e dos movimentos organizados, descritos por Vilar como o "abre-alas" das transformações socioambientais. Ela pontua que diferentes forças da sociedade cumprem funções distintas ao alertar, tensionar e negociar com as empresas, permitindo que a conscientização avance progressivamente no mercado.

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