Yago Alves detalha carreira, treinos e bastidores no triatlo
Melhor brasileiro no Mundial de Nice e 4º no 70.3 de SP, o atleta analisa sua trajetória e a transição para a meia distância.
Em entrevista ao Stemma Podcast, o triatleta profissional Yago Alves repassa os momentos marcantes de seus 20 anos no esporte. O catarinense aborda desde os primeiros passos na infância até a preparação em altitude e os planos nas provas de endurance.
Com duas décadas dedicadas ao esporte, o triatleta profissional Yago Alves construiu uma trajetória sólida que une a bagagem do circuito olímpico de curta distância à evolução recente na meia distância. Em conversa no Stemma Podcast, o atleta fez um raio-x completo de sua temporada, compartilhando bastidores de provas decisivas, rotinas de preparação, perrengues de viagem e a realidade estrutural e financeira do alto rendimento no Brasil. Confira o panorama dos temas abordados no episódio.
Mundial de IRONMAN 70.3 em Nice e training camp em altitude
Yago detalhou o período de quatro semanas de preparação em altitude na Colômbia antes de embarcar para a França, onde finalizou como o melhor brasileiro no Mundial de IRONMAN 70.3 em Nice com a 38ª colocação geral (4h11min48s). O atleta analisou sua dinâmica de prova, destacando a recuperação na subida do ciclismo e a excelente meia maratona fechada em 1h12min, embora tenha feito uma avaliação crítica sobre o tempo perdido na natação.
IRONMAN 70.3 São Paulo e o imprevisto com a bicicleta
Apenas uma semana após a prova na França, Yago encarou o IRONMAN 70.3 São Paulo sob um grande desafio logístico: sua bicicleta foi extraviada pela companhia aérea. Com um equipamento montado às pressas graças ao empréstimo de amigos do Clube Pinheiros, o atleta manteve o ritmo competitivo na USP, administrou o cansaço acumulado das viagens e garantiu o 4º lugar geral no pelotão profissional.
Planejamento de calendário e conciliação de distâncias
Equilibrar o volume de treinos e o calendário de provas é um dos grandes desafios de Yago, que costuma alternar entre distâncias sprint, olímpica e meia distância. O atleta explicou como o excesso de viagens e a exigência de competir em diferentes formatos impactam a preparação física, destacando a necessidade de manter estímulos de alta intensidade mesmo quando o foco principal está nas provas mais longas.
Início no triatlo, projeto em Portugal e faculdade de jornalismo
Relembrando o início aos sete anos em Balneário Camboriú, Yago compartilhou passagens de sua formação na base, o apoio fundamental dos pais e a experiência marcante de morar oito meses em Rio Maior, Portugal, integrando um projeto olímpico. O triatleta também comentou sobre sua graduação em jornalismo e a importância de construir alternativas profissionais paralelas à rotina esportiva.
Os desafios financeiros e a profissionalização no triatlo
A transição para o profissionalismo pleno ganhou força a partir de 2022 com a entrada no Esporte Clube Pinheiros, o ingresso no programa de atletas de alto rendimento do Exército Brasileiro como terceiro-sargento e o suporte do Bolsa Atleta. Yago debateu abertamente os custos elevados de manter um calendário internacional e a realidade econômica dos triatletas de elite no país.
Foco na meia distância e metas futuras
Projetando os próximos passos, o atleta reforçou sua identificação com as provas de 70.3 e formatos intermediários sem vácuo. Yago avaliou os pontos técnicos que ainda busca lapidar em cada modalidade e estabeleceu como meta de médio e longo prazo a presença constante em etapas do circuito Ironman Pro Series e da organização T100.
Estratégia nutricional e consumo intra-prova
No aspecto fisiológico e alimentar, Yago detalhou as metas de abastecimento calculadas com sua nutricionista para as provas de média distância. O triatleta consome entre 120 g e 130 g de carboidratos por hora no ciclismo, além de cerca de 1.000 mg a 1.200 mg de eletrólitos, explicando como gerencia a ingestão energética até o trecho final da corrida.