Como viver de triatlo: Yago Alves detalha os desafios
Do Clube Pinheiros ao programa militar, atleta explica os degraus financeiros para se sustentar no alto rendimento.
Viver exclusivamente do triatlo profissional exige planejamento, paciência e a construção progressiva de fontes de apoio. Em conversa no Stemma Podcast, Yago Alves detalha os custos do circuito de curta distância e os pilares que permitiram sua consolidação no esporte.
Transicionar da categoria de base para a elite do triatlo e alcançar a sustentabilidade financeira é um dos testes mais complexos para qualquer atleta no Brasil. Em participação no Stemma Podcast, o triatleta profissional Yago Alves detalhou os bastidores da sua trajetória e o que foi decisivo para transformar a dedicação diária aos treinos em uma profissão viável.
O divisor de águas no Clube Pinheiros
Para Yago, a grande virada de chave aconteceu em 2022, quando recebeu o convite para integrar a equipe do Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo. Embora já competisse no pelotão profissional, a mudança para a capital paulista proporcionou a infraestrutura, o salário de clube e a visibilidade necessários para que ele pudesse focar integralmente na modalidade.
Essa estabilidade foi determinante pelas exigências do circuito de curta distância. Manter-se competitivo no alto rendimento impõe uma rotina pesada de viagens internacionais frequentes — disputando etapas continentais como a Copa América na Colômbia, Uruguai, Paraguai, Argentina e Chile —, o que gera um custo logístico contínuo e elevado ao longo de toda a temporada.
A construção progressiva de apoio institucional
Com a estrutura do clube garantindo a presença constante no calendário de provas, os resultados consistentes impulsionaram a evolução de Yago nos rankings. Essa progressão esportiva abriu portas institucionais importantes, incluindo a entrada no programa de atletas de alto rendimento do Exército Brasileiro (onde ingressou como terceiro-sargento), o acesso ao Bolsa Atleta e a representação municipal em eventos como os Jogos Abertos de Santa Catarina (JASC).
A realidade do início e a rede de suporte
Apesar dos avanços promovidos pela Confederação Brasileira de Triathlon na transição da base para a elite, Yago ressalta que o cenário de entrada ainda demanda cautela e muita persistência. Conquistar posições como um top 8 ou top 10 em provas continentais nem sempre gera retorno financeiro imediato, tornando o suporte da família e das pessoas próximas indispensável para suportar o início da carreira.