Como Yago Alves conquistou o 4º lugar no IRONMAN 70.3 SP
Sem sua bike extraviada no retorno da Europa, triatleta recorreu a peças emprestadas e garantiu seu melhor resultado na prova.
Após ter sua mala-bike extraviada no retorno da Europa, Yago Alves precisou montar uma bicicleta emprestada para largar no IRONMAN 70.3 São Paulo. O triatleta superou os imprevistos e conquistou a quarta colocação profissional, seu melhor resultado na distância.
Voltar de uma grande competição internacional e encarar outra prova de alto nível em poucos dias já é um desafio físico e mental considerável. Para Yago Alves, a logística antes do IRONMAN 70.3 São Paulo ganhou uma dose extra de tensão: sua mala-bike foi extraviada pela companhia aérea no retorno da Europa e não desembarcou a tempo na capital paulista.
O mutirão para montar a bike emprestada
Ao notar que a bagagem havia ficado retida em Madri e posteriormente encaminhada por engano para Balneário Camboriú, Yago precisou agir rápido para garantir sua presença na largada. A solução veio por meio da rede de contatos construída durante seus três anos como atleta do Esporte Clube Pinheiros.
Com a ajuda de amigos e sócios do clube, o triatleta organizou uma verdadeira força-tarefa: pegou o quadro emprestado de Maurício e as rodas de Paulinho. Embora o conjunto montado às pressas exigisse adaptações em relação ao seu posicionamento habitual, permitiu que ele se concentrasse exclusivamente na disputa do domingo.
Gestão de ritmo na água e sobrevivência no pedal
Na etapa de natação, Yago saiu no segundo pelotão, cerca de 30 segundos atrás dos primeiros colocados. Durante o percurso aquático, optou por controlar o esforço em zonas intermediárias (Z2 e Z3) para poupar energia, mantendo contato visual com o grupo perseguidor.
Já no ciclismo, a prova ganhou intensidade com a fuga solitária de Reinaldo Colucci, que abriu vantagem na ponta. Yago trabalhou em revezamento com outros competidores até a aproximação de André Lopes e Santiago Ascenço (Taccone). Nos últimos 20 a 22 quilômetros do pedal, o ritmo forte imposto pelos adversários transformou o trecho final em uma dura batalha de sobrevivência sobre o equipamento adaptado.
Transição calculada e consistência na USP
Para a corrida no campus da USP, Yago adotou uma estratégia cautelosa na T2: sentou para calçar os tênis com calma, perdendo cerca de 15 a 20 segundos em relação aos rivais para evitar as fortes cãibras que havia sofrido em etapas anteriores, como em Brasília.
O ritmo consistente se pagou ao longo dos 21 km. Por volta do km 13 ou 14, Yago alcançou Taccone e sustentou a disputa lado a lado por dois quilômetros antes de assumir a posição. Administrando o desgaste físico nos quilômetros finais, cruzou a linha de chegada na 4ª colocação profissional, superando os sétimos lugares obtidos anteriormente em Brasília e no Rio de Janeiro para cravar seu melhor resultado no circuito.