CBF prejudica o Flamengo ao aprovar clássico no Engenhão
Decisão confirma mando vascaíno com carga de 90% para mandantes e 10% para rubro-negros no Campeonato Brasileiro.
A CBF aprovou a realização do clássico entre Vasco e Flamengo no Engenhão com divisão de ingressos em 90% a 10%. Para Bernardo Ramos, a decisão quebra a isonomia da competição após o primeiro turno ter contado com divisão igualitária no Maracanã.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aprovou a decisão do Vasco da Gama de mandar o clássico contra o Flamengo no Estádio Nilton Santos, o Engenhão, pela próxima quinta-feira, válida pelo Campeonato Brasileiro. Além da definição do local, a entidade confirmou a proporção de 90% da carga de ingressos destinada aos torcedores vascaínos e apenas 10% aos rubro-negros.
Para Bernardo Ramos, no vídeo acima, a medida fere diretamente a isonomia da competição nacional. Contexto: é importante ressaltar que o confronto do primeiro turno, disputado no Maracanã com mando do Flamengo, teve divisão de 50% para cada torcida no empate em 2 a 2. Ao aceitar a proporção desfavorável no segundo turno, a CBF chancela uma quebra de equilíbrio na reta final da disputa pelo título brasileiro.
Retaliação política e hierarquia de estádios
Na avaliação de Bernardo, a postura do presidente do Vasco, Pedrinho, representa uma retaliação após o impasse envolvendo a tentativa do clube cruz-maltino de atuar no Maracanã contra o Boca Juniors. A escolha pelo Engenhão contraria a própria ordem de prioridades divulgada anteriormente pelo mandatário vascaíno, que colocava São Januário em primeiro lugar, o Maracanã em segundo e o Nilton Santos em terceiro.
Bernardo avalia que a atitude carrega lampejos de Euriquismo, em alusão ao ex-dirigente Eurico Miranda. No entanto, o comentarista destaca que a escolha pode ter efeito contrário em campo, já que o elenco do Vasco não gosta de atuar no piso sintético do Engenhão, enquanto o Flamengo apresenta histórico favorável no estádio.
A questão do Maracanã e os reflexos para o clássico
Outro ponto enfatizado na análise envolve a administração do Maracanã. O estádio opera sob concessão estabelecida desde 2024, formada por Flamengo (65%) e Fluminense (35%). O consórcio gestor nunca assinou o acordo que previa cessão obrigatória de quatro partidas ao Vasco, razão pela qual a diretoria vascaína não tinha prerrogativa automática de atuar no local.
Desta forma, a reação vascaína em limitar a torcida rival em 10% deve gerar resposta futura. Para Bernardo, é natural que Bap aplique a mesma proporção de 90% a 10% no próximo confronto com mando rubro-negro, embora isso só ocorra no ano seguinte. O comentarista também questiona o silêncio de órgãos como o Ministério Público do Rio de Janeiro e do ministro Luís Felipe Salomão quanto às condições de segurança e acesso no Engenhão para uma partida de alta animosidade.