Yago Alves analisa o Mundial 70.3 em Nice e camp em altitude
Triatleta profissional explica a rotina na Colômbia, a estratégia nas subidas francesas e a corrida de 1h12 no Mundial.
Em conversa no Stemma Podcast, o triatleta profissional Yago Alves detalhou sua preparação em altitude na Colômbia e a performance no Mundial de IRONMAN 70.3 em Nice. O brasileiro avaliou sua natação tumultuada, a gestão de esforço no pedal e o recorde pessoal na meia maratona da prova.
A preparação para um Mundial de triatlo exige ajustes finos e decisões estratégicas de alto nível. Antes de alinhar no Mundial de IRONMAN 70.3 em Nice, Yago Alves apostou em uma imersão de quase quatro semanas de treinamento em altitude na Colômbia. O triatleta profissional emendou a viagem logo após competir no Rio de Janeiro, dando continuidade a uma rotina de altitude que já faz parte do seu calendário esportivo desde 2020.
Quatro semanas de altitude e foco em subidas na Colômbia
Acostumado a realizar períodos em locais como Equador e Estados Unidos nos anos anteriores, Yago estruturou a rotina colombiana dividindo a casa com outros atletas amadores e profissionais. A dinâmica diária exigia flexibilidade em função dos horários da piscina pública olímpica de 50 metros, disponível em faixas fixas entre o meio da manhã e o início da tarde. Com isso, os treinos de ciclismo e corrida eram distribuídos antes ou depois da sessão aquática.
Um dos pontos centrais da preparação foi o trabalho de força nas montanhas. O grupo encarava a subida de La Unión cerca de três vezes por semana, um trecho de 20 a 21 minutos que levava os atletas de 2.100 para até 2.600 metros de altitude. O estímulo serviu sob medida para a altimetria exigente que o brasileiro encontraria pela frente no percurso de ciclismo na Riviera Francesa.
A atmosfera do Mundial e o clima entre os profissionais
Yago desembarcou em Nice exatamente uma semana antes da largada para absorver o fuso horário de sete horas e fazer o reconhecimento de percurso. Além da atmosfera da cidade totalmente voltada ao evento, o triatleta destacou o tratamento dispensado à categoria profissional pela organização, desde o suporte logístico na praia até a estrutura completa montada na área de transição e chegada.
Nos momentos que antecederam a largada, a convivência direta com as principais referências do esporte mundial trouxe episódios curiosos. Alinhado ao lado de nomes de ponta do cenário internacional, Yago vivenciou de perto a mescla de concentração e descontração que marca os simpósios e a chamada dos atletas na praia.
Natação truncada e recuperação estratégica no ciclismo
Na água, a largada massiva e com espaço reduzido dificultou a dinâmica de prova de Yago. Com muito contato físico até a primeira boia, o brasileiro acabou perdendo o contato com o segundo grande pelotão, completando a etapa inicial abaixo das marcas obtidas nos treinos de reconhecimento.
A recuperação começou a ser desenhada nos 90 km de ciclismo. Ciente de que o trajeto favorecia atletas que sabem dosar momentos de força e descanso, Yago economizou energia no trecho plano inicial e concentrou o esforço nas subidas mais duras, onde tirou tempo considerável de concorrentes diretos. Na descida pedalável e no falso plano entre os quilômetros 65 e 80, ele aproveitou para rodar solto, hidratar e repor a suplementação.
Corrida de 1h12 e a marca de 38º do mundo
A gestão de esforço no trecho final da bicicleta permitiu que Yago iniciasse a meia maratona com a musculatura preservada. O ritmo consistente apareceu logo nos primeiros 10 km, completados em cerca de 34 minutos altos. Mantendo parciais entre 3'20" e 3'25" por quilômetro e dividindo ritmo com um atleta francês, ele ultrapassou diversos competidores ao longo do traçado e fechou a corrida em 1h12 — sua melhor marca nos 21 km em provas de meio ironman.
Com o tempo total de 4h11min48s, Yago Alves cruzou a linha de chegada na 38ª colocação geral, terminando como o melhor brasileiro da prova. Mais do que a liderança entre os compatriotas, o triatleta ressaltou que a posição no ranking global e a leitura crítica de cada modalidade são as métricas reais que orientam sua evolução contínua no triatlo de alto rendimento.