Curated
Voltar S @stemma 3 min de leitura
sports

O caso Qiaodan vs. Michael Jordan e o registro de marcas

Entenda a disputa judicial na China e por que proteger nomes e transliterações é essencial para qualquer marca.

A longa batalha jurídica entre Michael Jordan e a chinesa Qiaodan revela os desafios do registro de marcas no mercado internacional. Veja como a transliteração fonética gerou uma disputa bilionária.

A expansão internacional de uma marca exige cuidados que vão muito além de colocar produtos em prateleiras estrangeiras. Um dos exemplos mais emblemáticos do mercado esportivo mundial envolve a disputa jurídica entre a lenda do basquete Michael Jordan e a fabricante chinesa Qiaodan Sports, fundada nos anos 2000.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A brecha fonética e a criação da marca

Quando Michael Jordan registrou sua marca internacionalmente, assegurou a grafia ocidental de seu nome, mas não protegeu os caracteres chineses correspondentes à sua transliteração fonética. A fabricante chinesa utilizou exatamente essa lacuna: adotou a escrita em caracteres chineses que soa como "Jordan" (Qiaodan), associou uma silhueta inspirada no clássico logotipo Jumpman e chegou a registrar referências como o número 23 e nomes de familiares do astro.

Durante anos, a empresa expandiu sua operação sem oposição formal, abrindo milhares de lojas físicas em território chinês. O conflito atingiu o ápice por volta de 2011, momento em que a Qiaodan preparava sua oferta pública inicial de ações (IPO) na bolsa de valores, levando Michael Jordan a acionar os tribunais chineses para impedir o uso comercial de sua identidade.

O caso Qiaodan vs. Michael Jordan e o registro de marcas

Das vitórias locais à reversão no tribunal

Inicialmente, a Justiça chinesa deu ganho de causa à fabricante local. As alegações eram de que "Jordan" seria um sobrenome comum no Ocidente, a silhueta utilizada não exibia o rosto do ex-atleta e o prazo limite de contestação inicial de cinco anos para certos registros já havia expirado. A Qiaodan manteve-se respaldada pelas decisões das instâncias inferiores por anos.

A reviravolta ocorreu quando o debate passou a focar na confusão gerada ao consumidor. Pesquisas apresentadas no processo revelaram que 93% dos clientes da marca acreditavam estar comprando produtos oficialmente licenciados por Michael Jordan. Com a comprovação de que o público era induzido a erro, a mais alta corte chinesa determinou que a empresa deixasse de usar a transliteração do nome no âmbito corporativo e emitisse um pedido formal de desculpas, alterando sua denominação para Zhongqiao.

Lições para o mercado esportivo

O episódio serve de alerta prático para atletas, empresários e marcas que planejam atuar internacionalmente: a proteção de propriedade intelectual precisa considerar particularidades de cada jurisdição, abrangendo não apenas a escrita original do alfabeto latino, mas também símbolos visuais e transliterações em línguas e alfabetos locais.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma