Expansão da Keep Running e o critério para entrar na vitrine
Com nova loja no Morumbi, Igor Santos explica a seleção de marcas e por que o foco em branding supera a briga por preço.
A Keep Running prepara a abertura de uma unidade compacta no Morumbi com uma seleção enxuta de marcas. O fundador Igor Santos detalha a estratégia de curadoria do varejo especializado e a importância da consistência das marcas na corrida de rua.
A expansão do varejo especializado em corrida exige equilíbrio entre presença de mercado e identidade. Ao planejar a abertura de sua segunda unidade física no bairro do Morumbi, em São Paulo — localizada em um open mall integrado a academias como Bodytech e Studios Bio Ritmo —, a Keep Running adotou um modelo mais compacto do que o de sua tradicional flagship na rua Sena Madureira.
Enquanto a loja principal abriga cerca de 15 fabricantes, a nova unidade foi estruturada em torno das seis marcas com maior volume de vendas e conexão direta com a comunidade de corredores: Adidas, Nike, Mizuno, ASICS, New Balance e On Running. Para o fundador Igor Santos, a seleção reflete o desempenho comercial e o trabalho contínuo de vínculo que essas gigantes multinacionais mantêm com o público.
O varejo como catalisador de marca
A escolha das marcas que ocupam as prateleiras não se resume a custo ou margem. Segundo Igor, o posicionamento da Keep Running prioriza a construção de valor e conteúdo em vez de entrar na guerra de preços do e-commerce. A loja atua como um vetor que potencializa os produtos por meio de treinos presenciais, ativações em redes sociais e conversas com executivos, mas a responsabilidade de estabelecer a identidade primordial cabe à própria fabricante.
Quando uma marca não sustenta sua narrativa no esporte, o lojista assume um risco desproporcional ao investir em estoque. A conexão do corredor com o calçado depende da clareza com que a empresa comunica sua proposta técnica e seu propósito no segmento de performance.
O perigo da falta de foco no mercado de corrida
Um dos principais entraves para novas marcas conquistarem espaço sustentável no varejo brasileiro é a oscilação de prioridades. Igor cita o exemplo da 361°, que realizou ações pontuais na corrida e logo em seguida dispersou a comunicação para o basquete. Para o varejista especializado, essa falta de direcionamento gera receio e afasta o investimento.
No ecossistema da corrida de rua, a concorrência técnica entre calçados consolidados é acirrada. Sem um trabalho estruturado de longo prazo e convergência de propósitos entre fabricante, loja e corredor, apenas ter um produto bonito ou com preço agressivo não garante espaço no topo das escolhas do atleta.