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Jenny Parinos relembra diagnóstico de XLH e infância

Mesa-tenista paralímpica passou por 19 médicos até descobrir condição genética rara e iniciar rotina de suplementação.

A mesa-tenista paralímpica Jenny Parinos relembrou sua trajetória até o diagnóstico de raquitismo hipofosfatêmico ligado ao cromossomo X (XLH). A atleta detalhou a infância marcada por consultas médicas, a adaptação aos tratamentos e a virada proporcionada pelo esporte e pela terapia.

A trajetória esportiva de alto rendimento de Jenny Parinos começou muito antes de suas primeiras raquetadas: teve início na infância, com a busca por respostas para uma condição congênita rara. Única entre quatro irmãos a nascer com a deficiência, Jenny convive com o raquitismo hipofosfatêmico ligado ao cromossomo X (XLH), uma alteração genética que impacta diretamente a absorção mineral e o desenvolvimento ósseo.

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A jornada por 19 médicos até o diagnóstico

Os primeiros sinais apareceram por volta de um ano de idade, quando a atleta começou a tentar andar e apoiava com frequência as mãos sobre os joelhos. A dificuldade motora levou a família a uma longa peregrinação por 19 ortopedistas. As respostas, no entanto, eram quase sempre evasivas, atribuindo o quadro a um suposto tempo individual de desenvolvimento. Jenny chegou a usar botinhas ortopédicas sem qualquer resultado prático.

A virada aconteceu após a indicação de uma amiga de sua mãe, Mônica, que sugeriu uma avaliação na Santa Casa de São Paulo. Foi lá que a equipe médica finalmente identificou o XLH. A condição decorre da ausência de receptores adequados de cálcio e fósforo no organismo: mesmo com a ingestão alimentar regular, os minerais não são absorvidos e acabam eliminados pela urina.

Jenny Parinos relembra diagnóstico de XLH e infância

Rotina médica, cirurgia e crescimento

Com o diagnóstico confirmado, Jenny iniciou um tratamento intensivo ainda muito jovem. Para repor as perdas constantes do organismo, a rotina diária incluía a ingestão de 16 comprimidos de suplementação, fracionados de quatro em quatro horas. Pelo fato de a estrutura óssea ser mais maleável em decorrência da falta de cálcio, a sustentação do peso corporal provocou o arqueamento das pernas. Aos 10 anos, ela chegou a passar por uma cirurgia corretiva, mas o procedimento não surtiu o efeito esperado.

Como o XLH afeta o desenvolvimento estatural, a atleta também fez uso de hormônio de crescimento ao longo da infância e adolescência, alcançando a estatura atual de cerca de 1,53 m. Apesar da fragilidade óssea característica da condição, o acompanhamento rigoroso e o cuidado preventivo da família evitaram fraturas ao longo de sua vida.

Superação de inseguranças, esporte e novos horizontes

Além do manejo físico, a convivência com o XLH trouxe desafios emocionais na idade escolar. Aos 10 anos, episódios de preconceito por conta de sua marcha arqueada geraram inseguranças profundas. A virada na autoimagem veio com a maturidade, impulsionada pelo suporte da terapia e pela entrada no ambiente paralímpico, onde a convivência com diferentes corpos e realidades transformou sua percepção sobre capacidade.

Essa desconstrução de limites segue ativa: aos 30 anos, inspirada pelas provas disputadas pelo marido, Kilian, Jenny superou a antiga crença de que precisaria ter pernas retas para correr. Hoje, a atleta já inclui a corrida em seus treinos, adquiriu uma bicicleta e mira desafios futuros no triatlo e na natação.

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