Classes funcionais no tênis de mesa paralímpico: como funcionam
Medalhista Jenny Parinos explica a divisão das 11 classes e como a equivalência de impacto garante disputas justas.
A classificação funcional é a base da equidade no esporte paralímpico. No tênis de mesa, atletas são divididos em 11 classes que avaliam a funcionalidade em jogo e equilibram diferentes tipos de deficiência nas disputas.
A lógica da classificação funcional
Para competir no esporte paralímpico de alto rendimento, todo atleta precisa passar obrigatoriamente por uma banca de classificação funcional. Como explica a mesatenista Jenny Parinos no podcast da Stemma Sports, cada modalidade possui critérios próprios, mas a premissa central é sempre a mesma: criar categorias equilibradas baseadas no impacto real da deficiência sobre os movimentos exigidos pelo esporte.
No tênis de mesa paralímpico, o sistema conta com 11 classes funcionais. A regra de leitura é simples: quanto menor o número da classe, maior é o comprometimento físico-motor do atleta.
As 11 classes do tênis de mesa
A divisão das classes na modalidade é estruturada em três grandes blocos:
As classes 1 a 5 são destinadas a atletas cadeirantes. Na classe 1, por exemplo, competem atletas com tetraplegia ou quadros de severo comprometimento dos membros, enquanto a classe 5 reúne cadeirantes com maior controle de tronco e mobilidade superior.
As classes 6 a 10 englobam os atletas andantes. A escala também segue a lógica do grau de limitação: a classe 6 concentra atletas com maior restrição motora em pé, enquanto a classe 10 é reservada para deficiências mínimas, como a amputação de um membro superior sem impacto severo na locomoção.
A classe 11 é dedicada exclusivamente a atletas com deficiência intelectual, avaliados por parâmetros cognitivos específicos aplicados à modalidade.
Equivalência e equilíbrio na prática
Classificada atualmente na classe 9, Jenny Parinos convive com limitações nas duas pernas decorrentes do raquitismo hipofosfatêmico (XLH). Por manter boa mobilidade geral, sua pontuação funcional a posiciona em uma classe mais alta entre os andantes.
Uma dúvida comum sobre o sistema paralímpico é se atletas enfrentam apenas adversários com o mesmo diagnóstico clínico. Na prática, a classificação busca a equivalência funcional: uma mesa pode colocar frente a frente uma competidora com restrições nos membros inferiores e outra com ausência de um braço e dedos dos pés, desde que o impacto esportivo final seja similar.
Além do circuito paralímpico, Jenny também disputa torneios do circuito olímpico convencional. Enfrentar atletas sem deficiência exige adaptação física constante e serve como uma ferramenta intensa de preparação e ganho de ritmo para as competições internacionais.