Preconceito com IA e brigas de ego no mercado de agências
Seiji Morita analisa como o purismo criativo afasta agências de resolver problemas reais de pequenos negócios.
Seiji Morita discute o preconceito com o uso de inteligência artificial na criação visual e as disputas de ego entre agências. O debate aborda como ferramentas acessíveis viabilizam a sobrevivência de microempresários e por que profissionais de marketing devem focar em gerar resultados concretos.
Seiji Morita, CEO da Agência Omamori, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre as discussões improdutivas no setor de comunicação e o preconceito em relação ao uso de inteligência artificial por pequenos empresários.
No vídeo acima, a conversa aprofunda como disputas estéticas e vaidades afastam profissionais de marketing do que realmente importa para a operação dos clientes. Para Morita, muitas agências perdem tempo julgando peças criadas por ferramentas acessíveis em vez de entenderem o próprio espaço no mercado. "Uma coisa que eu não gosto no mercado é agência que não sabe se posicionar", afirma Morita, apontando que profissionais se incomodam quando um microempresário recorre à IA para criar um banner ou material de divulgação.
O erro de posicionamento e a crítica à IA
Segundo Morita, a indignação com peças geradas por IA revela uma falha de compreensão sobre perfis de clientes. Quando um microempresário decide produzir a própria arte em vez de contratar uma equipe, isso apenas sinaliza que aquele negócio ainda não tem demanda ou verba para o escopo de uma agência estruturada.
Morita destaca que criticar publicamente essas iniciativas é um gasto desnecessário de energia operacional. "Se resolve a dor do empresário, não tem o por quê que uma empresa entrar aí em e num numa discussão dessa, sabe? Tipo, pô, sei lá, eu tenho 10 clientes aqui. Ah, eu vou discutir com um cara que fez uma negócio de IA. Pô, você tá gastando energia à toa num negócio que talvez nem ajude você a nada", explica Morita.
A democratização do acesso para microempresários
Ao avaliar o impacto da tecnologia nos negócios de menor porte, Morita traça um paralelo com a chegada de ferramentas como o Canva e defende uma visão pragmática sobre a função do marketing. Para quem trabalha em feiras ou pequenos comércios, a economia imediata de R$ 100 ou R$ 200 representa a sobrevivência do caixa.
"Cara, a partir do ponto que a IA tá aí, muito negócio, vamos olhar para o copo cheio ou copo vazio? Porque o copo vazio é quantos mercadinhos não conseguiam investir em marketing ou ainda não conseguem e hoje conseguem fazer", pontua Morita. Para ele, se a peça cumpre o papel comercial de atrair clientes, a crítica estética perde o sentido: "Pô, você pode analisar o que você quiser, mas não critica o cara, o cara tá lá, vai vendendo".
Vaidade corporativa e transição geracional
Bruno observa que os fóruns e grupos de marketing frequentemente concentram discussões polarizadas entre profissionais mais experientes da publicidade e novas dinâmicas trazidas pela Geração Z. Em vez de debater soluções que acelerem a entrega e gerem eficiência, o mercado muitas vezes se prende a disputas de ego sobre pureza criativa.
Morita reforça que a escolha das ferramentas — seja Photoshop, Canva com Affinity ou modelos generativos — depende da capacidade técnica de cada operador e do objetivo final. O foco do profissional de marketing deve se manter na entrega de valor e no crescimento sustentável das contas atendidas, sem se distrair com julgamentos sobre como o pequeno empresário conduz sua divulgação inicial.