O papel da criatividade no mercado de nicho e associativismo
Josiele Saugo analisa o setor de entidades de classe e explica por que a criatividade precisa focar em resolver problemas reais.
Em entrevista a Bruno Gimenes, Josiele Saugo discute os desafios de marketing em mercados de nicho como sindicatos e associações. A coordenadora de marketing explica a importância da estabilidade institucional e o papel da utilidade prática nas ideias criativas.
Em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, Josiele Saugo, coordenadora de marketing da HiGestor, detalhou as particularidades da comunicação voltada ao associativismo e a entidades sindicais. O segmento reúne números expressivos: segundo dados do IBGE de 2024 citados na conversa, o Brasil conta com mais de 15.000 sindicatos registrados e mais de 300.000 associações ativas. Paralelamente, um levantamento da Totvs de 2024 aponta que 68% das organizações do terceiro setor ainda não utilizam ferramentas de automação de marketing, abrindo um espaço relevante para estratégias especializadas.
No vídeo acima, a conversa aborda a atuação em mercados específicos dentro de uma discussão mais ampla sobre carreira e estratégias B2B presentes no episódio.
A necessidade de estabilidade nas entidades de classe
Ao analisar a postura tradicional e muitas vezes conservadora de sindicatos e associações, Saugo destaca que essa característica decorre da própria finalidade institucional desses órgãos. "Todas essas entidades elas vêm com uma missão muito clara, que é amparar, ajudar, contribuir. No caso dos sindicatos, propor melhores condições de trabalho. Ou seja, todas elas têm em comum gerar segurança e gerar longevidade para empresas, para pessoas", explica Saugo.
Por terem o papel de oferecer garantias aos representados — sejam entidades laborais ou patronais —, essas organizações priorizam bases sólidas em vez de aderirem a modismos passageiros. Segundo Saugo, a conexão entre os interesses de trabalhadores e contratantes exige consistência, pois ambos os lados compõem o mesmo ecossistema econômico.
A criatividade focada em utilidade e resolução
Para Saugo, a criatividade atua como o mecanismo de adaptação necessário para garantir a longevidade dessas entidades ao longo das mudanças geracionais e tecnológicas. Contudo, ela ressalta que o processo criativo no ambiente corporativo e associativo precisa ir além do plano das ideias abstratas e focar na funcionalidade.
"A criatividade, ela tem um papel primeiro da gente abrir os nossos horizontes, então pensar coisas novas, trazer novos pontos de vista, a gente pesquisar coisas diferentes, expandir a nossa consciência mesmo, mas quando a gente traz para a parte prática, ela precisa servir e ela precisa ser útil", pontua Saugo. Ela compara essa exigência à lógica prática do Startup Weekend, lembrando que projetos conceituais perdem valor se não resolverem um gargalo concreto da comunidade atendida.
Repertório cultural e senso de comunidade
Além da dimensão técnica, Saugo defende a postura de serviço mútuo entre lideranças, equipes e associados como forma de fortalecer o coletivo. Para alimentar o repertório pessoal e o pensamento lúdico, ela menciona o hábito da leitura e cita as obras da escritora Socorro Acioli, que exploram novas possibilidades de imaginação.
Bruno pontua que a leitura e os momentos de desconexão também servem como instrumentos fundamentais para abrir horizontes e absorver novas perspectivas após rotinas intensas de trabalho.