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Diferenças geracionais exigem escuta ativa na liderança

Josiele Saugo analisa a convivência de gerações nas equipes, limites de trabalho e a renovação em entidades tradicionais.

A convivência entre diferentes faixas etárias redefine a dinâmica das equipes e exige dos gestores uma postura focada em escuta ativa. Em debate sobre liderança e inovação, Josiele Saugo explica como as novas gerações transformam o ambiente de trabalho e impulsionam mudanças em organizações consolidadas.

Josiele Saugo, coordenadora de marketing da HiGestor, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, os impactos das transformações geracionais na liderança de equipes e no desenvolvimento de negócios. O episódio completo também aborda outros aspectos do marketing B2B de nicho e economia criativa, mas o recorte sobre relações de trabalho e repertório destaca a necessidade de os gestores se adaptarem às novas linguagens e valores dos profissionais mais jovens.

No vídeo acima, Saugo e Bruno discutem como o ambiente corporativo e os polos de inovação absorvem profissionais que entram no mercado com visões de carreira e relações com o trabalho distintas das gerações anteriores.

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Gestão e a nova postura profissional

A entrada de profissionais na faixa dos 20 anos no mercado impõe uma revisão de comportamentos para quem ocupa cargos de gestão. Lidar com equipes mais jovens exige desenvolvimento de empatia e paciência para entender prioridades que não repetem os padrões de gerações anteriores, marcadas por excesso de trabalho.

Saugo aponta que essa convivência expõe contrastes claros na forma de encarar o expediente. "Eles não têm esse lugar que nós, da nossa geração, aqui dos 30, a gente tem muito esse lugar de ser workaholic, e olhar pra isso como algo, uau, isso é muito legal, e gente, não é", afirma. Para Saugo, a capacidade dos mais jovens de impor limites nas relações corporativas traz lições importantes para conter índices elevados de ansiedade e burnout.

Diferenças geracionais exigem escuta ativa na liderança

Escuta ativa como instrumento de liderança

Para liderar equipes jovens e identificar tendências de comportamento de consumo, a capacidade de ouvir passa a ser o principal ativo de um profissional de marketing. A observação de públicos mais novos, desde pré-adolescentes até jovens adultos em fase universitária, expande a compreensão do mercado.

Como referência de método, Saugo recomenda o livro O Palhaço e o Psicanalista, ressaltando que a obra reflete a importância de compreender a audiência antes de propor qualquer intervenção. "A gente precisa, numa mesa de gestão, ou numa posição de liderança, ouvir mais do que falar, né? Porque é a gente que está a serviço daquelas pessoas também, assim como a gente está a serviço daquela empresa", pontua.

Trocas intergeracionais em comunidades de inovação

A experiência prática em ecossistemas de startups demonstra que a troca entre profissionais de diferentes idades acelera a validação de soluções. Na liderança de iniciativas como a edição feminina do Techstars Startup Weekend em Itajaí, Saugo observou a colaboração direta entre mulheres de 18 a 50 anos ao longo de 54 horas de desenvolvimento de modelos de negócio.

A dinâmica do evento, formatada para ter 75% das vagas preenchidas por mulheres, evidenciou a complementaridade entre a bagagem das participantes mais experientes e a leitura de problemas trazida pelas mais jovens. Essa integração enriquece o repertório criativo e valida soluções de forma mais conectada com a realidade.

Passagem de bastão em entidades tradicionais

A necessidade de diálogo com as novas gerações também atinge organizações consolidadas, como sindicatos, associações e federações patronais. Historicamente vistas como estruturas mais conservadoras, essas entidades vêm implementando hubs, laboratórios de inovação e programas de iniciação para preparar a transição de liderança.

Saugo destaca que iniciativas em instituições como FIESP, FIEG e ABRH mostram a busca por aproximação com os jovens para garantir a sustentabilidade das operações. "Se hoje uma pessoa que está nessas entidades tem 50 anos, mais uns 10 anos, ela vai ter que passar esse bastão, mais uns cinco, ela vai ter que passar esse bastão pra alguém", explica, ressaltando que a adaptação às demandas dos novos profissionais é indispensável para o futuro dessas instituições.

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