Viça Saraiva avalia impacto de treinos do passado e cirurgias
Aos 48 anos, triatleta relembra semanas de volume extremo nos anos 2000 e como o corpo cobrou a conta décadas depois.
Em conversa descontraída, Viça Saraiva relembra a rotina de treinos massivos no início dos anos 2000 e reflete sobre o desgaste acumulado. O triatleta detalha a sequência de cirurgias recentes e como busca manter a longevidade no esporte com responsabilidade.
Para quem acompanha o triatlo brasileiro há décadas, o nome de Viça Saraiva é referência direta de dedicação e história no esporte. Aos 48 anos e ainda ativo nas competições, o atleta relembrou no Café com Tri como era a rotina de treinos pesados na juventude e como o excesso de volume do passado acabou cobrando um preço físico significativo décadas mais tarde.
Semanas brutais e a conta que chega depois
Quando questionado sobre o que fazia aos 25 ou 30 anos e que hoje seria inviável repetir, Viça foi enfático: o volume desmedido. Ao recordar a preparação para a primeira edição do Ironman Brasil em Florianópolis, em 2001, ele detalhou a rotina desenhada pelo técnico Beto França. Embora a base comum da época já fosse o tradicional "60 10" (60 km de ciclismo seguidos por 10 km de corrida), algumas semanas de pico atingiam marcas extremas.
Em uma dessas semanas, a programação acumulou 120 km de bike e 20 km de corrida na terça-feira, 28 km de corrida na quarta, 120 km de pedal na quinta, mais de 20 km de corrida na sexta, 120 km de ciclismo no sábado e um treino combinado de 150 km de bike com 28 km de corrida no domingo — tudo somado às sessões diárias de natação. Na época, sem monitores modernos de potência ou zonas cardíacas (Z1, Z2), o treino era anotado no papel e o ritmo controlado em relógios Timex, correndo a parciais de 4:10/km a 4:15/km. Viça conta que, mesmo sentindo o rendimento impecável, sabia internamente que aquele desgaste teria consequências futuras.
Três cirurgias em 13 meses
A fatura física começou a acumular cerca de vinte anos depois. A partir de 2022, o triatleta enfrentou uma bateria de três intervenções cirúrgicas em um intervalo de apenas 13 meses. O primeiro procedimento foi na coluna. Durante o processo de fisioterapia, surgiu repentinamente uma lesão no menisco do joelho, exigindo uma nova operação.
Pouco depois, manifestou-se um quadro de rizartrose severa na mão. Mesmo com dificuldades para fechar a mão após disputar o Ironman em Mérida, Viça ainda prorrogou a operação até o final da temporada para competir no Campeonato Brasileiro. A condição nas mãos, agravada por fatores genéticos, exige infiltrações e gera limitações mecânicas diretas no apoio do guidão e em tarefas simples da rotina diária.
Longevidade e responsabilidade aos 48 anos
Apesar do histórico cirúrgico e das adaptações necessárias, Viça segue treinando e competindo. Ele observa que, da sua geração de triatletas em Brasília, raros nomes continuam na ativa com regularidade, citando atletas como Kenny e João Carlos.
Para manter a longevidade no esporte, a estratégia atual passa longe dos excessos do passado. A continuidade competitiva exige responsabilidade no controle de volume, atenção à recuperação e a consciência de que preservar a estrutura física é indispensável para continuar performando nas próximas décadas.