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Viça Saraiva discute o amador, o pró e as táticas no triatlo

Em bate-papo no Café com Tri, veterano fala sobre equilíbrio de treino, controle por percepção e blefes psicológicos.

No Café com Tri, Viça Saraiva reflete sobre a linha tênue entre amadores dedicados e profissionais. O triatleta veterano explica por que prefere competir guiado pela percepção em vez de telas e detalha as táticas mentais que usa nas provas.

A aproximação entre o rendimento de amadores de ponta e atletas profissionais é um dos temas mais debatidos no endurance atual. No podcast Café com Tri, da Stemma Sports, Viça Saraiva trouxe sua visão de décadas no esporte sobre o que realmente separa as categorias e como a obsessão por volume pode distorcer prioridades de quem não vive exclusivamente da modalidade.

Para Viça, amadores que encaram rotinas de 20 a 30 horas semanais de treino enquanto mantêm trabalho formal e família correm o risco de inverter propósitos essenciais. Dedicar energia extrema ao esporte sem ser profissional cobra um preço direto na convivência familiar e no desempenho profissional, áreas em que a dedicação integral deveria ter peso maior.

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Percepção de esforço contra a tirania dos números

Outro ponto central defendido por Viça é a desconexão gradual com a tirania dos medidores de potência e relógios durante o Ironman. O atleta revelou que prefere guiar seu ritmo pela Percepção Subjetiva de Esforço (PSE), metodologia que também aplica com seus alunos para que compreendam emocionalmente e fisicamente a diferença entre zonas de treino sem depender apenas da tela do GPS.

Na visão do triatleta, a mente humana é altamente sugestionável: saber que a potência média está um ou dois watts acima do planejado pode induzir o atleta ao pânico de quebrar na maratona, enquanto ver números abaixo pode provocar uma aceleração precoce e fatal. Durante suas provas, a estratégia mental passa pelo foco na gratidão e em mantras positivos, mantendo o corpo relaxado e consistente ao longo de toda a distância.

Viça Saraiva discute o amador, o pró e as táticas no triatlo

Jogos psicológicos e leitura de rivais

Além do controle fisiológico, Viça detalhou como a experiência acumulada permite utilizar táticas psicológicas e blefes legítimos de corrida. Em disputas diretas, demonstrar cansaço excessivo para induzir o adversário ao relaxamento antes de um ataque — ou, inversamente, manter postura impecável mesmo no limite do esforço para desmotivar quem vem atrás — faz parte da dinâmica competitiva.

Em tom bem-humorado, o triatleta relembrou ainda episódios inusitados de bastidores, como a vez em que confundiu um colega no aquecimento do Troféu Brasil devido a roupas de borracha idênticas, e fechou sua participação elegendo o Ironman Brasil de 2019 como sua prova inesquecível e o doce de leite como combustível pós-treino favorito.

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