Viça Saraiva reflete sobre mentalidade e legado no triatlo
No Café com Tri, veterano explica por que a evolução pessoal e o autocontrole superam números, recordes e troféus.
Viça Saraiva analisa a transformação interior proporcionada pelo esporte de alto rendimento. O triatleta destaca que o verdadeiro valor dos treinos está na formação do caráter e na capacidade de lidar com o desconforto diário.
No cenário atual do esporte de endurance, grande parte das conversas gira em torno de métricas, ritmos de prova e marcas pessoais. Em participação no podcast Café com Tri, Viça Saraiva compartilhou uma visão construída ao longo de mais de três décadas dedicadas ao triatlo, ressaltando que o esporte vai muito além do cronômetro.
O crescimento humano além das siglas
Para Viça, a obsessão recente por números, como recordes pessoais (RP), melhores marcas (PB) ou limiares de potência (FTP), desvia o foco do que o esporte tem de mais valioso. O atleta veterano pontua que o objetivo principal ao cruzar a linha de chegada de uma prova — seja em um Ironman 70.3 ou em um treino longo — é a maturidade e os aprendizados que ficam para a rotina após o evento.
O processo de preparação exige gerenciar o corpo, o lado emocional e até a espiritualidade nos momentos de exaustão. Aprender a tomar decisões sob dor e reconhecer pensamentos autossabotadores durante uma competição são habilidades que constroem resiliência mental.
O desconforto do treino aplicado à vida real
A capacidade de suportar adversidades físicas reflete diretamente em como o indivíduo encara as dificuldades cotidianas. Viça exemplifica esse exercício mental em práticas como a crioterapia: ao permanecer cinco minutos na banheira de gelo utilizando técnicas de respiração cadenciada, trabalha-se a aceitação do desconforto de maneira serena.
Essa postura diante do estresse físico é transferida para as pressões rotineiras, como imprevistos financeiros ou problemas pessoais. Ao treinar a mente para manter a calma quando o corpo quer desistir, o atleta aprende a agir com clareza em situações fora de controle.
Autenticidade e o que resta no final
Outro ponto enfatizado por Viça é a autenticidade na prática esportiva. A dedicação diária não deve ser pautada pelo desejo de validação externa ou pela tentativa forçada de motivar terceiros; o impacto positivo em outras pessoas surge como consequência natural de uma postura genuína.
Com 35 anos de história no triatlo, o atleta reflete sobre o destino material das conquistas esportivas, lembrando caixas de troféus acumuladas ao longo de décadas que acabam guardadas. Segundo ele, premiações e marcas passam, mas valores como ética, respeito e a pessoa que o indivíduo se torna por meio do esporte permanecem como o verdadeiro legado.