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A era de ouro do triathlon brasileiro segundo Viça Saraiva

No Café com Tri, veterano relembra o impacto de Leandro Macedo e Alexandre Manzan no cenário mundial do esporte.

Com mais de três décadas de carreira, Viça Saraiva reflete sobre a evolução do triathlon e resgata o legado de lendas brasileiras. O atleta destaca o impacto global de nomes como Leandro Macedo e Alexandre Manzan em uma época sem métricas digitais.

Com mais de 35 anos dedicados ao triathlon e competindo desde os 13 anos de idade, Viça Saraiva testemunhou de perto as profundas transformações do esporte ao longo das últimas décadas. Em conversa no Café com Tri, da Stemma Sports, o experiente triatleta traçou um paralelo entre o cenário atual, focado em métricas digitais, e a era de ouro da modalidade no Brasil.

Para Viça, o ambiente competitivo contemporâneo muitas vezes prioriza marcas individuais em detrimento da essência da disputa esportiva. "Hoje em dia as pessoas estão muito procurando conquistas vazias, um recorde, um PB, um NP. Eu prefiro ganhar um Ironman com dez horas do que ser segundo com 7h30. Só que a pessoa prefere ser segundo com 7h30 porque vai botar no Instagram", pontuou, destacando a camaradagem sincera que marcava a sua geração, na qual a rivalidade intensa ficava restrita ao momento da largada até a linha de chegada.

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O impacto de Leandro Macedo e Alexandre Manzan no circuito mundial

Ao relembrar suas maiores referências, Viça não hesita em apontar Leandro Macedo e Alexandre Manzan como os maiores nomes da história do triathlon brasileiro. Ambos moldaram a forma como o pelotão de elite internacional competia nos anos 1990 e início dos 2000, desafiando ícones globais da modalidade.

Na época, estrelas do circuito mundial como o australiano Greg Bennett e Chris McCormack precisavam desenhar táticas de prova específicas para neutralizar os brasileiros, conhecidos pelo ritmo avassalador na corrida — frequentemente fechando os 10 km finais na casa dos 29 minutos. Tudo isso em um período sem relógios com GPS, géis de carboidrato modernos ou sensores de potência.

A era de ouro do triathlon brasileiro segundo Viça Saraiva

Profissionalismo e legado

Definindo Leandro Macedo como o "Michael Jordan de sunga", Viça exaltou o nível de disciplina, calma e metodologia que colocava o triatleta em um patamar diferenciado. Macedo era famoso pelo planejamento minucioso, desenhando seus próprios projetos de equipamentos e registrando cada detalhe do pré-prova em cadernos detalhados.

Enquanto Manzan se destacava pela força de um talento bruto impressionante, Leandro reunia habilidade técnica e uma ética de trabalho exemplar. Para Viça, resgatar essa memória é fundamental para que a nova geração de atletas reconheça os pioneiros responsáveis por colocar o Brasil no mapa do triathlon mundial.

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