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Ricardo Prado analisa gestão da CBDA e o gargalo da base

Medalhista olímpico aponta excesso de recursos no topo, escassez na transição juvenil e desafios políticos na natação.

Em entrevista ao Natação Stemma, o medalhista olímpico Ricardo Prado analisa os desafios da CBDA, a disparidade de investimentos entre atletas consagrados e a base, além do papel dos clubes no alto rendimento.

Com a bagagem de quem já esteve no pódio olímpico e também atuou diretamente nos bastidores como dirigente da CBDA, Ricardo Prado traz uma visão pragmática sobre o momento da natação brasileira. Para ele, o esporte nacional não sofre com a escassez de recursos ou com a falta de conhecimento técnico, mas sim com entraves estruturais de gestão, decisões políticas e um desequilíbrio na distribuição de investimentos entre o topo da pirâmide e a base formadora.

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Choque de gestão e o modelo federativo

Na avaliação de Prado, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos se beneficiaria da chegada de uma liderança externa com autoridade para implementar mudanças culturais profundas. Embora reconheça a competência técnica dos profissionais locais, ele pontua que o modelo atual muitas vezes esbarra em amarras históricas e na influência política das 24 federações estaduais, onde a maior parte dos votos não reflete necessariamente centros de alto rendimento.

Essa dinâmica decisória, orientada por blocos políticos e interesses locais, cria dificuldades para estabelecer critérios estritamente focados na excelência esportiva. O ex-atleta observa que, enquanto o conhecimento sobre o que deve ser feito existe internamente, a real implementação dessas medidas é frequentemente travada por acomodação ou falta de alinhamento estratégico.

Ricardo Prado analisa gestão da CBDA e o gargalo da base

Recursos no topo versus a transição da base

Um dos pontos mais enfáticos destacados por Ricardo Prado é o volume de apoio disponível para a elite em comparação com as categorias inferiores. Desde o ciclo de 2016, os principais nadadores e treinadores contam com viagens internacionais, clínicas de altitude e aporte financeiro considerável viabilizado pelo Comitê Olímpico do Brasil e clubes de ponta. No entanto, essa abundância no topo não tem se convertido em um salto proporcional de medalhas olímpicas.

O problema central, segundo ele, está no afunilamento entre as categorias júnior e sênior. Com investimentos pesados concentrados nos atletas adultos estabelecidos, os jovens de 18 e 19 anos encontram dificuldades para superar veteranos experientes e conquistar seu espaço. Prado defende que parte relevante da atenção e dos recursos seja direcionada para fortalecer as categorias juvenil e júnior, incentivando a renovação natural e cobrando entrega profissional condizente com o suporte oferecido à elite.

O declínio dos clubes e a disputa por novos talentos

Além dos desafios na gestão central, a natação brasileira enfrenta o encolhimento de polos tradicionais de formação. No interior de estados como São Paulo, diversas agremiações esportivas encerraram suas equipes competitivas ou fecharam as portas, centralizando o esporte em poucos grandes clubes da capital.

Esse cenário reduz a capilaridade da modalidade em um momento em que a natação disputa o interesse das novas gerações com o futebol e com esportes urbanos em ascensão, como o skate. Para Prado, o esporte precisa reconhecer essa concorrência e se modernizar para manter o apelo junto aos jovens, o que passa inclusive por abraçar provas mais curtas e dinâmicas, como as disputas de 50 metros em todos os estilos.

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