Ricardo Prado desmente convite para nadar pelos EUA
Medalhista olímpico revela que boato sobre naturalização foi estratégia de seu agente para atrair apoio no Brasil.
Em entrevista ao Natação Stemma, Ricardo Prado esclareceu a famosa história sobre uma suposta proposta para defender a seleção dos Estados Unidos. O nadador explicou que tudo não passou de um blefe de bastidor para atrair patrocinadores brasileiros.
Durante sua participação no podcast Natação Stemma, o medalhista olímpico Ricardo Prado colocou um ponto final em uma das histórias mais comentadas dos bastidores dos esportes aquáticos no Brasil: o suposto convite oficial para se naturalizar norte-americano e competir pelos Estados Unidos.
A rotina no exterior e a origem do blefe
Prado lembrou que se mudou para os Estados Unidos com apenas 15 anos de idade. Na época, dividia a rotina entre as aulas no high school e uma carga pesada de treinamentos que chegava a 20 quilômetros diários de natação. O suporte financeiro vinha de forma modesta de sua família, enquanto enfrentava perrengues logísticos, noites em claro e a espera pelo envio de passagens por parte da CBDA para disputar competições.
Diante da falta de patrocínios e da iminência de disputar medalhas em Jogos Olímpicos, o empresário e ex-atleta do Club Athletico Paulistano, Fernando Sandoval, assumiu o papel de procurador de Prado para auxiliá-lo a viabilizar recursos financeiros na fase amadora.
Estratégia para chamar a atenção no Brasil
Ao perceber que Prado tinha chances reais de subir ao pódio mas não recebia a devida atenção ou investimentos no Brasil, Sandoval decidiu criar o boato de que os norte-americanos estavam interessados em contar com o nadador brasileiro.
Segundo Prado, o agente o orientou a sustentar a versão publicamente na tentativa de mobilizar dirigentes e patrocinadores nacionais. O nadador destacou, contudo, que a história era improvável na prática, já que a equipe dos Estados Unidos sempre contou com fartura de talentos de elite na modalidade. Apesar de ter gerado comentários na época, a estratégia quase não surtiu efeito prático.
Gratidão e dedicação precoce
Mesmo com a repercussão limitada da jogada, Prado reforçou a profunda gratidão a Fernando Sandoval — falecido durante a pandemia de Covid-19 —, a quem descreveu como uma figura paterna decisiva para que sua carreira internacional se sustentasse.
O nadador também relembrou a intensidade de sua formação, que começou cedo: aos 12 anos já integrava a seleção brasileira infantil e, aos 13, participou de uma clínica com 60 atletas em Miami. Enquanto a maioria desistia dos três períodos diários de treino, Prado aproveitou a oportunidade para baixar dez segundos em sua marca nos 200 metros, consolidando a mentalidade que o levou ao topo do esporte.