O Projeto Ricardo Prado no Ibirapuera e a formação de base
Medalhista olímpico relembra os 13 anos em que atuou diariamente na borda da piscina lapidando jovens talentos em SP.
Em conversa no Natação Stemma, Ricardo Prado detalhou como nasceu e funcionou seu projeto de natação no Ibirapuera entre 1991 e 2004. Da captação de crianças recém-saídas de escolinhas ao alojamento no complexo esportivo, o medalhista olímpico atuou como técnico na borda da piscina para formar novos talentos da base.
No início da década de 1990, logo após assumir uma função na Secretaria de Estado de Esportes de São Paulo, o medalhista olímpico Ricardo Prado decidiu colocar em prática uma ambição pessoal: montar uma equipe de base e atuar diretamente como treinador. A iniciativa ganhou espaço no Complexo Esportivo do Ibirapuera e começou a operar em 1991 com o Projeto Ricardo Prado, posteriormente associado ao Projeto Futuro, que já mantinha polos de atletismo e judô.
A ideia inicial de receber nadadores já experientes esbarrou na realidade do esporte paulista da época, onde atletas federados permaneciam vinculados aos clubes tradicionais. O projeto precisou, então, garimpar jovens que haviam acabado de sair de escolinhas de natação e dominavam apenas as noções básicas dos quatro nados. A proposta tornou-se essencialmente formadora: acolher crianças sem espaço nos grandes clubes e transformá-las em atletas competitivos.
Rotina de treinos e alojamento debaixo da arquibancada
Prado assumiu a borda da piscina em dois períodos, aplicando treinos pela manhã e à tarde. A estrutura técnica contava com a divisão de categorias: a treinadora Denise assumia as turmas de petiz e infantil, enquanto Ricardo ficava responsável pelas categorias juvenil e júnior. Ao longo dos anos, a estrutura do Ibirapuera passou a abrigar cerca de 15 jovens atletas de 14 e 15 anos no alojamento construído sob a arquibancada do complexo esportivo.
Durante mais de uma década de atividades, o trabalho gerou resultados expressivos no cenário estadual e nacional, com a classificação de dezenas de jovens para Campeonatos Paulistas e a formação de campeões brasileiros de categoria.
A transição para os clubes e o encerramento em 2004
O sucesso na lapidação dos atletas fez com que potências da natação nacional, como Pinheiros e Unisanta (Santa Cecília), buscassem os nadadores formados no Ibirapuera com propostas financeiras, uma dinâmica que Ricardo Prado encarava como a evolução natural da carreira dos jovens. O projeto encerrou suas atividades em 2004, quando Prado se transferiu para o Rio de Janeiro para atuar na gestão esportiva dos Jogos Pan-Americanos de 2007. O tema fez parte do episódio #47 do podcast Natação Stemma, que também abordou a trajetória completa e a visão de gestão do ex-nadador.