O infarto aos 38 anos e a recuperação de Ricardo Prado
Medalhista olímpico relembra o susto cardíaco nos Estados Unidos, a cirurgia de emergência e a rotina atual de cuidados.
Em relato no Natação Stemma, Ricardo Prado detalha o episódio em que sofreu um infarto aos 38 anos durante viagem aos Estados Unidos. O ex-nadador conta como descobriu artérias quase totalmente obstruídas, passou por cirurgia e reestruturou seus treinos e hábitos de saúde.
Mesmo para quem construiu uma trajetória vitoriosa no esporte de alto rendimento, o coração exige vigilância constante. Durante participação no programa Natação Stemma, o medalhista olímpico Ricardo Prado relembrou um dos momentos mais delicados de sua vida: o infarto sofrido aos 38 anos, enquanto passava férias em Dallas, nos Estados Unidos, cidade onde morou na época universitária.
O episódio começou com um incômodo sutil após um treino de uma hora de bicicleta na academia. Na noite seguinte, a sensação estranha retornou acompanhada de insônia. Sem os sintomas clássicos de dor aguda, Prado aguardou as primeiras horas da manhã para ir ao pronto-socorro. Enquanto o eletrocardiograma inicial não apontou alterações, os exames de sangue confirmaram o infarto. Ele permaneceu dois dias internado para o implante de um stent e precisou aguardar uma semana antes de ser liberado para voar de volta ao Brasil.
O diagnóstico no InCor e a cirurgia
De volta a São Paulo, onde na época atuava como treinador no clube Hebraica, Prado procurou atendimento médico por indicação do cardiologista Dr. Sérgio Tim. Novos exames conduzidos no Instituto do Coração (InCor) revelaram um quadro ainda mais crítico: além da artéria que já havia recebido o stent, uma segunda via apresentava 85% de obstrução e uma terceira estava com 90% de bloqueio.
Diante da gravidade, a recomendação cirúrgica foi imediata. A operação foi realizada poucos dias após o diagnóstico, afastando o risco iminente de novos eventos coronários graves. Segundo Prado, o histórico como atleta de alta performance foi determinante para suportar o quadro sem sequelas extremas, criando uma circulação colateral que preservou o músculo cardíaco.
Rotina de manutenção e atividade física
Desde a intervenção, o medalhista mantém um protocolo rigoroso de acompanhamento preventivo, realizando exames cardiológicos e testes de esforço duas vezes ao ano, além do uso contínuo de medicações de controle. A relação com os treinos também ganhou novos parâmetros, focando na longevidade e no bem-estar.
Após períodos afastado das piscinas — inclusive durante o ciclo dos Jogos Rio 2016, quando atuava na gestão esportiva —, Ricardo Prado retomou uma frequência regular, nadando cerca de três a quatro vezes por semana e frequentando a academia, sempre dosando a intensidade para evitar sobrecargas. O ex-atleta também destacou a influência de sua irmã, Denise Prado, pioneira na família na natação e que segue ativa nas águas abertas como uma referência de compromisso com o esporte.