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Ricardo Cintra relembra início e carreira como velocista

De Mogi Mirim aos pódios nacionais, treinador conta bastidores de sua fase nas piscinas e a relação com o triatlo.

Antes de consagrar Poliana Okimoto no cenário olímpico, Ricardo Cintra construiu sólida trajetória como velocista na natação. Em entrevista ao Natação Stemma, ele relembra as piscinas curtas do interior, as passagens por Corinthians, Pinheiros e Minas Tênis Clube, além de duelos históricos nos 50 metros livre.

Antes de se tornar internacionalmente reconhecido como o treinador que guiou Poliana Okimoto à histórica medalha olímpica nas águas abertas, Ricardo Cintra trilhou uma trajetória intensa dentro das piscinas. Natural de Mogi Mirim, no interior de São Paulo, o paulista começou a nadar em uma academia local chamada Esporte Arte, dividindo espaço com uma geração fértil de atletas multiesportivos.

Curiosamente, o triatlo sempre esteve presente ao seu redor desde a infância. Cintra cresceu cercado de nomes como Ivan Albano, Fábio Carvalho, Fabiano Peres e Marcelo Ortiz — atual head coach da Seleção Brasileira de triatlo e seu vizinho de infância. Apesar de arriscar provas curtas por alguns meses no início, a vocação de Ricardo permaneceu estritamente focada nas raias de velocidade: enquanto os amigos pedalavam e corriam, ele era o especialista que dominava a água.

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A saída de Mogi Mirim e os grandes clubes paulistas

A virada competitiva aconteceu por volta dos 14 anos. Disputando o antigo Projeto Nadar, Cintra chamou a atenção ao vencer a final estadual cravando 57 segundos nos 100 metros livre em piscina longa — marca expressiva para a idade, conquistada treinando em uma modesta piscina de 20 metros. O desempenho atraiu o olhar de Alberto Silva, o Albertinho, abrindo as portas da capital paulista.

Para viabilizar a mudança de Mogi Mirim para São Paulo, o jovem velocista transferiu-se para o Corinthians, sob o comando de William Urizzi de Lima. Morando na república do clube, Cintra evoluiu nos 50 e 100 metros livre, alcançando finais e pódios nacionais em categorias de base, como no Troféu Júlio Delamare. Posteriormente, retornou ao Esporte Clube Pinheiros, onde permaneceu por cinco temporadas dividindo treinos e repúblicas com grandes referências da natação brasileira, incluindo Gustavo Borges, Cassiano Leal, Carlos Lima Filho (Cacau) e Marcelo Tomazini.

Ricardo Cintra relembra início e carreira como velocista

A rivalidade nacional e a passagem pelo Minas Tênis Clube

No auge da rivalidade entre as duas maiores potências da natação brasileira na virada dos anos 2000, Cintra também defendeu o Minas Tênis Clube por dois anos. Treinando sob orientação da comissão técnica mineira, ele experimentou os dois lados das disputas acirradas do Troféu Brasil.

Especialista puro de 50 metros livre, Ricardo precisou ajustar a preparação física com trabalho intenso de musculação para compensar a estrutura magra e ganhar a potência exigida pela prova mais rápida da natação. O esforço rendeu participações em etapas de Copa do Mundo no Rio de Janeiro e finais expressivas no circuito nacional.

O auge de 2002 e o primeiro contato com Poliana Okimoto

O ano de 2002 marcou o ápice da carreira de Cintra nas piscinas. No Troféu Brasil realizado em Brasília, ele registrou índice para o Campeonato Mundial de Barcelona e para os Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo nos 50 metros livre logo na primeira série eliminatória. Em uma época em que a prova era extremamente disputada e reuniu seis atletas abaixo do índice, a marca terminou na quinta colocação geral.

Foi nesse mesmo evento em Brasília que Poliana Okimoto assistiu à prova das arquibancadas, presenciando a comemoração do futuro marido e técnico. Mais tarde, no Troféu José Finkel de 2002, Cintra conquistou a medalha de prata nos 50 livre, superando nomes consagrados como o medalhista olímpico Edvaldo Valério.

A bagagem acumulada ao lado de campeões e grandes treinadores da natação clássica serviu de base direta para a transição técnica de Ricardo, que posteriormente utilizou essa vivência de alto rendimento para estruturar treinos de velocidade e resistência tanto para maratonistas aquáticos quanto para dezenas de triatletas profissionais.

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